Ativistas do Greenpeace recolheram chocolates da Hershey's durante a Semana do Consumidor para pressionar a empresa a informar ao consumidor sobre o uso de matéria-prima transgênica em sua produção.
O consumidor brasileiro já pode consumir chocolates da Hershey's
sem culpa. A empresa enviou carta ao Greenpeace se comprometendo a
usar apenas ingredientes livres de transgênicos na fabricação de
seus produtos. Segundo o documento assinado pelo diretor geral da
empresa no Brasil, Aluizio Periquito Neto, a Hershey's agora
passará a usar ingredientes de fornecedores que garantem
matéria-prima livre de transgênicos.
"A postura da Hershey's mostra sua preocupação com o desejo do
consumidor e gera um efeito dominó em toda a cadeia produtiva,
porque obriga os fornecedores a trabalhar com produtos que não
causem danos ao meio ambiente. Fornecedodres que nao se adequam às
vontades dos clientes tendem a perder mercado, como aconteceu com a
Cargill neste caso", afirma Gabriela Vuolo, coordenadora da
campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.
A Cargill era uma das principais fornecedoras de matéria-prima
da Hershey's, mas ao não garantir ingredientes como óleos e
lecitina de soja e gordura vegetal livres de transgênicos, foi
substituída pelas empresas Brejeiro e Imcopa - ambas presentes na
lista verde do Guia do Consumidor do Greenpeace.
O Guia relaciona os produtos que usam ou não matéria-prima
transgênica. Com o compromisso assumido pela Hershey's, o guia
conta agora com 74 empresas na lista verde e 32 na lista
vermelha.
O Guia do Consumidor do Greenpeace vem ajudando, desde 2002, os
consumidores brasileiros a se informarem sobre a real composição
dos produtos vendidos no país. Mais de 100 empresas de alimentos
foram contatadas e questionadas sobre a utilização de ingredientes
transgênicos em seus produtos. As empresas que não respondem ou que
não fazem controle adequado para evitar a contaminação por
matéria-prima geneticamente modificada são listadas na lista
vermelha do guia.
O Greenpeace vinha pressionando há quatro meses para que a
Hershey's informasse a procedência da matéria-prima que usava em
seus chocolates. Em março, durante a Semana do Consumidor, às
vésperas da Páscoa, ativistas do Greenpeace foram a um supermercado
de Porto Alegre e recolheram ovos e barras de chocolate das
empresas Hershey's e da Garoto, exigindo mais informações nos
rótulos dos produtos sobre o uso ou não de matéria-prima
transgênica. Os chocolates foram lacrados em um tonel e enviados às empresas uma semana depois.
Até o momento, a Garoto ainda não se manifestou, deixando seus
consumidores sem informações adequadas sobre o uso de
transgênicos.
"É fundamental que as empresas informem o consumidor se estão
usando ingredientes transgênicos para fabricar seus produtos",
afirma Vuolo, coordenadora da campanha de engenharia genética do
Greenpeace. "O direito à informação está previsto na lei e não pode
ser negado aos brasileiros. A Garoto continua assim desrespeitando
os consumidores do país."
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