O prêmio Motosserra de Ouro, do Greenpeace, foi dado aos países do G8, com exceção da Alemanha, pela falta de ação deles na proteção da biodiversidade e implementação de áreas protegidas que permitam o cumprimento das metas para 2010 assinadas pelos presidentes e chefes de estado. A Alemanha ficou de fora por ter anunciado em Bonn a doação de 500 milhões de euros entre 2009 e 2012 para projetos de proteção florestal.
Em seu último dia, a 9ª Conferência das Partes (COP9) da
Convenção de Diversidade Biológica (CDB), das Nações Unidas,
confirmou a indiferença da comunidade internacional quando se trata
de proteger as florestas, o clima global e a conservação da
biodiversidade, segundo avaliação do Greenpeace.
A Convenção apresentou progresso na proteção da biodiversidade
marinha e na repartição de benefícios e combate à biopirataria, mas
fracassou em obter compromisso financeiro das nações
industrializadas para viabilizar as metas de proteção da vida
fixadas para 2010. Os países do G8 e membros da União Européia, com
exceção da Alemanha, não botaram dinheiro
na mesa. Em nome dos países ricos do G8, o Japão, que sedia a
próxima reunião do grupo em julho, recebeu o prêmio Motosserra de
Ouro, concedido pelo Greenpeace.
Saiba mais sobre o prêmio clicando aqui.
Estimamos que sejam necessários 30 bilhões de euros para zerar o
desmatamento e estabelecer uma rede global de áreas protegidas a
fim de conservar a biodiversidade do planeta.
"Diversas espécies de animais e plantas estão desaparecendo a
uma velocidade alarmante, enquanto a CDB caminha a passos de lesma.
Se continuar assim, a meta de reduzir de forma significativa a
perda de biodiversidade até 2010 nunca será alcançada", diz Martin
Kaiser, chefe da delegação do Greenpeace em Bonn.
"A dominância dos interesses comerciais de países como Brasil,
Canadá, Japão e China impediram, de forma sistemática, que a
conferência alcançasse um resultado melhor."
Segundo Kaiser, a Alemanha deu o exemplo ao anunciar que vai
destinar bilhões de euros nos próximos
anos para proteger as florestas.
"Agora, a chanceler Ângela Merkel deve usar sua influência para
engajar outros países na iniciativa durante a reunião do G-8, em
julho, no Japão. O trabalho de Merkel não termina hoje. Nos
próximos dois anos e meio, ela precisa priorizar a proteção das
florestas na agenda política dos países industrializados", analisa
Kaiser.
"Mais uma vez, os interesses de curto prazo de países e empresas
impediram que a Convenção sobre a Diversidade Biológica, da ONU,
cumprisse sua missão, definida na ECO-92, de proteger a vida na
Terra", avalia Paulo Adario, coordenador do Greenpeace na Amazônia,
que participou da CDB.
"Espécies estão cada vez mais ameaçadas, nossos rios, lagos,
mares e solos ficam cada vez mais pobres e contaminados e o
desmatamento das florestas tropicais, principalmente na Amazônia e
na Indonésia, ameaça o equilíbrio climático e o futuro de todos
nós. Não temos mais tempo a perder. Continuaremos a lutar para
proteger o único patrimônio que temos em comum: esse planetinha
azul em que vivemos."
O progresso da CDB também foi limitado em outros temas
importantes da convenção:
Repartição de Benefícios: os países concordaram em
negociar regulamentos contra a biopirataria até 2010. No entanto,
Canadá e Japão conseguiram manter em aberto se o mandato será
legalmente vinculante ou não.
Áreas Protegidas Marinhas: a conferência concordou em
adotar critérios para a identificação de reservas marinhas em alto
mar e águas profundas.
Agrocombustíveis: não houve progresso. O Brasil resiste
em adotar regras obrigatórias para evitar a destruição de florestas
tropicais provocada pela expansão de agrocombustíveis. Os países só
concordaram em discutir o desenvolvimento de critérios de
sustentabilidade no futuro. Isso permite que a Alemanha e outros
países europeus continuem usando agrocombustível produzido de forma
insustentável, enquanto florestas da Indonésia são destruídas para
o plantio de palma (dendê) e a cana-de-açúcar avança pelo Brasil,
ocupando áreas destinadas à produção de alimentos e empurrando gado
e soja para a Amazônia.
Desmatamento e Madeira Ilegal: a conferência fracassou em
adotar as medidas necessárias para combater o desmatamento. Nenhum
acordo foi fechado para proibir o comércio de madeira ilegal ou
para criar um processo para lidar com o problema no futuro.
Financiamento: Canadá, Brasil, Japão, China e a União
Européia bloquearam, coletivamente, decisões importantes para
possibilitar o financiamento da proteção da biodiversidade.
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