Notícia - 16 - nov - 2006
No último dia da 12º Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP12, em Nairóbi, o Greenpeace elogiou a decisão dos ministros que participaram da reunião por reconhecerem, pela primeira vez, a necessidade de reduzir as emissões de CO2 em mais de 50%. De acordo com estudos científicos, só assim seria possível impedir que mudanças climáticas perigosas aconteçam. Além disso, os ministros finalmente definiram um cronograma para revisão do Protocolo de Kyoto.
"Pequenos passos foram dados em Nairóbi para garantir que não
haja falhas entre a primeira e a segunda fase", disse Steve
Sawyer, Conselheiro de Mudanças Climáticas e Políticas Energéticas
do Greenpeace Internacional. Entretanto, ele ressalta que é preciso
acertar o passo para iniciar as negociações no próximo ano.
"Os resultados desta COP mostram que o Brasil tem um enorme
desafio pela frente como um dos maiores emissores de gases estufa
da atualidade", disse Marcelo Furtado, diretor de campanhas do
Greenpeace no Brasil. "Se o país realmente quer fazer parte da
solução do problema das mudanças do clima, deve adotar uma política
nacional de mudanças climáticas, explorar alternativas energéticas
limpas e renováveis e combater seriamente o desmatamento da
Amazônia".
Essa reunião, a primeira a acontecer na África sub-saariana,
obteve alguns bons resultados para países em desenvolvimento com o
acordo firmado para estabelecer os princípios do Fundo de
Adaptação. Esse fundo é um instrumento de financiamento unificado,
que se vale de um imposto nas transações efetuadas no mercado de
carbono para gerar recursos que ajudarão as pessoas mais pobres e
vulneráveis do mundo a se adaptarem à realidade das mudanças
climáticas que elas enfrentam hoje.
"São os países mais pobres e menos desenvolvidos que estão sendo
os primeiros a serem atingidos de forma mais dura pelos efeitos
devastadores das mudanças climáticas; um legado do mundo
desenvolvido. Tudo o que pode ser feito deve ser feito para
fortalecer o Fundo de Adaptação", afirmou Sawyer. "Esse movimento
coloca o controle do fundo nas mãos do Protocolo de Kyoto e as
decisões serão tomadas com o voto de cada país, com uma maioria
garantida para os países em desenvolvimento. São eles que devem ter
a palavra decisiva sobre como os recursos do fundo devem ser
gastos. Queremos que o imposto seja aplicado em todos os mecanismos
do Protocolo. Então o Fundo de Adaptação poderia ser potencialmente
um sistema multi-bilionário de suporte a esses países mais
necessitados", comenta.
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