Notícia - 18 - dez - 2009
Os sinais são os piores e as expectativas, as mais baixas possíveis. Após longas reuniões a portas fechadas, os chefes de Estado abandonaram a COP15 sem declarações públicas.
Ativista da rede Climate Justice Action protesta fora do Bella Center, em Copenhague
©Greenpeace/Bas Beentjes
Lula pegou os chefes de sua comitiva - ministros e diplomatas -, colocou no avião e voltou para Brasília sem falar nada. Isso horas depois de fazer um belo discurso, transmitido a todo o mundo, em que apontava como a COP15 corria o risco de terminar com uma foto de fracassados. Para trás, deixou Carlos Minc, titular do Ministério do Meio Ambiente, tradicionalmente responsável por dar as más notícias ambientais.
"O acordo não é justo, ambicioso, nem legalmente vinculante. Os líderes falharam em evitar o caos climático. Este ano o mundo enfrentou uma série de crises e com certeza a maior delas é a crise de liderança", disse Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace no Brasil.
Barack Obama, por sua vez, falou apenas para os jornalistas americanos que o acompanhavam, antes de entrar no avião de volta a Washington, e dispôs a entrevista no site da Casa Branca uma hora depois. Nela, deixou claro para quem Copenhague representava a esperança de uma conclusão feliz das negociações que elas estão apenas começando.
Segundo ele, conseguir um acordo com valor legal é "difícil" e toma tempo. A questão é que o aquecimento global não espera as vontades e as dificuldades enfrentadas pelos políticos. A justificativa não convence os milhões de pessoas que sofrerão os piores efeitos.
Um acordo com força de lei, justo e ambicioso precisa ser fechado para controlar as mudanças climáticas. Os países desenvolvidos, que têm a maior responsabilidade, precisam cortar em 40% as emissões de gases-estufa em relação a 1990 até 2020. Os países emergentes também precisam fazer mais, com redução da taxa de crescimento de suas emissões. É preciso zerar o desmatamento das florestas tropicais e criar um mecanismo que financie ações de adaptação e mitigação nos países pobres.
Era isso que se esperava de Copenhague. Sem o acordo, o mundo sai da COP deixando o futuro das próximas gerações em perigo.