Corte inglesa absolve ativistas e condena carvão como fonte energética

Notícia - 9 - set - 2008
Numa decisão inédita, a Justiça inglesa considerou legítima a tentativa de fechar a usina termelétrica a carvão em Kingsnorth.

Ativista do Greenpeace sobe em uma das chaminés da termelétrica a carvão de Kingsnorth, em Kent, Inglaterra. A ação paralisou as atividades da usina em 2007.

Quem causa mais problemas, uma usina termelétrica a carvão queprovoca inúmeros danos ao meio ambiente ou ambientalistas que tentamfechá-la? A Justiça inglesa não teve dúvidas: a defesa do meio ambienteé mais importante. Numa decisão inédita, o júri composto porrepresentantes do público inglês absolveu nesta quarta-feira seisativistas do Greenpeace que interromperam os trabalhos da usina deKingsnorth, em Kent (condado situado no sudoeste da Inglaterra), sob aalegação de que com a ação eles estavam defendendo o meio ambiente dosimpactos das mudanças climáticas. 

É a primeira que a alegação deprevenção de danos provocados pelas alterações climáticas foi usada emum tribunal. Com o resultado, os planos do governo inglês de aumentar aparticipação do carvão na matriz energética do país sofreu um durogolpe.

No julgamento, que teve a duração de cinco dias, foramouvidos vários especialistas, como o professor James Hansen, diretor daNasa que aconselhou Al Gore no trabalho que deu ao ex-vice presidentedos Estados Unidos o prêmio Nobel da Paz. Hansen explicou à corte quemais de um milhão de espécies serão extintas por causa das mudançasclimáticas e que só a usina de Kingsnorth seria responsável pelo fim deaproximadamente 400 delas.

O professor disse também que concorda com Al Gore quando oex-presidente afirma que todos deveriam se acorrentar às usinas decarvão para impedir o seu funcionamento.

"Alguém tem que começar a dizer basta às centrais elétricas de carvão", afirmou o professor.

O Greenpece Brasil também contribuiu para a absolvição dos ativistasingleses. O professor Geoff Meaden, outro especialista em clima, estavano Brasil nos dias do julgamento e foi ouvido por vídeo-conferência, aovivo do escritório da organização em São Paulo.

Os especialistas disseram que a usina de Kingsnorth emite 20 miltoneladas de dióxido de carbono (CO2) por dia, o equivalente à soma dasemissões dos 30 países menos poluentes no mundo. A defesa também falousobre os planos do governo inglês de construir novas centrais a carvão,ao lado da usina já existente.

"Não éramos os únicos na cadeirados réus, as usinas a carvão também estavam sendo julgadas e elas foramcondenadas", disse Emily Hall, uma das voluntárias que participaram daação em Kingsnorth.

Leia também:

Ativistas são presos em Israel em ação do Rainbow Warrior contra carvão

Tópicos