Ativista do Greenpeace sobe em uma das chaminés da termelétrica a carvão de Kingsnorth, em Kent, Inglaterra. A ação paralisou as atividades da usina em 2007.
Quem causa mais problemas, uma usina termelétrica a carvão
queprovoca inúmeros danos ao meio ambiente ou ambientalistas que
tentamfechá-la? A Justiça inglesa não teve dúvidas: a defesa do
meio ambienteé mais importante. Numa decisão inédita, o júri
composto porrepresentantes do público inglês absolveu nesta
quarta-feira seisativistas do Greenpeace que interromperam os
trabalhos da usina deKingsnorth, em Kent (condado situado no
sudoeste da Inglaterra), sob aalegação de que com a ação eles
estavam defendendo o meio ambiente dosimpactos das mudanças
climáticas.
É a primeira que a alegação deprevenção de danos provocados
pelas alterações climáticas foi usada emum tribunal. Com o
resultado, os planos do governo inglês de aumentar aparticipação do
carvão na matriz energética do país sofreu um durogolpe.
No julgamento, que teve a duração de cinco dias, foramouvidos
vários especialistas, como o professor James Hansen, diretor daNasa
que aconselhou Al Gore no trabalho que deu ao ex-vice presidentedos
Estados Unidos o prêmio Nobel da Paz. Hansen explicou à corte
quemais de um milhão de espécies serão extintas por causa das
mudançasclimáticas e que só a usina de Kingsnorth seria responsável
pelo fim deaproximadamente 400 delas.
O professor disse também que concorda com Al Gore quando
oex-presidente afirma que todos deveriam se acorrentar às usinas
decarvão para impedir o seu funcionamento.
"Alguém tem que começar a dizer basta às centrais elétricas de
carvão", afirmou o professor.
O Greenpece Brasil também contribuiu para a absolvição dos
ativistasingleses. O professor Geoff Meaden, outro especialista em
clima, estavano Brasil nos dias do julgamento e foi ouvido por
vídeo-conferência, aovivo do escritório da organização em São
Paulo.
Os especialistas disseram que a usina de Kingsnorth emite 20
miltoneladas de dióxido de carbono (CO2) por dia, o equivalente à
soma dasemissões dos 30 países menos poluentes no mundo. A defesa
também falousobre os planos do governo inglês de construir novas
centrais a carvão,ao lado da usina já existente.
"Não éramos os únicos na cadeirados réus, as usinas a carvão
também estavam sendo julgadas e elas foramcondenadas", disse Emily
Hall, uma das voluntárias que participaram daação em
Kingsnorth.
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