CTNBio adia decisão sobre milho transgênico da Bayer

Notícia - 23 - nov - 2006
Cientistas cobram da empresa mais esclarecimentos sobre o produto, confirmando o alerta feito pelo Greenpeace sobre a ausência de informações importantes no processo

O processo de liberação comercial do milho transgênico pedido pela Bayer CropScience não foi votado na reunião da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) realizada dia 23 de novembro em Brasília. Os cientistas da Comissão pediram uma diligência, o que adiou a decisão para dezembro. O Greenpeace avalia como positivo o resultado da reunião da CTNBio.

A diligência é um procedimento formal adotado pelos cientistas quando não há informações suficientes em um determinado processo. Como o pedido foi acatado pela Comissão, a Bayer precisará agora prestar esclarecimentos aos cientistas, que enviaram cerca de 40 perguntas à empresa. A Comissão também solicitou, pela terceira vez, que a Bayer traduza todos os documentos que fazem parte de seu pedido, conforme determina a legislação brasileira.

"Alguns dos questionamentos levantados pela CTNBio são muito semelhantes aos que o Greenpeace encaminhou para a Bayer. A empresa escolheu não responder ao Greenpeace, mas agora terá que esclarecer à Comissão todos os detalhes sobre os riscos desse milho transgênico", disse Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace. "A CTNBio adotou o Princípio da Precaução e o bom senso, e nós esperamos que isso continue guiando as decisões da Comissão".

No último dia 21 de novembro, o Greenpeace realizou um protesto pacífico em frente à sede da Bayer CropScience, em São Paulo. O objetivo da atividade era pressionar a empresa para que retire o pedido de liberação comercial de seu milho transgênico resistente ao agrotóxico glufosinato de amônio, que pode causar náuseas, diarréia e até aborto. De acordo com documentos científicos, a quantidade de resíduo de agrotóxico no milho da Bayer é muito maior do que a quantidade presente no milho convencional.

A CTNBio também decidiu durante a reunião realizada em Brasília que não vai realizar uma audiência pública sobre o milho transgênico resistente ao agrotóxico. O pedido de audiência pública havia sido feito por diversas organizações da sociedade civil no último mês de outubro. No entanto, a solicitação recebeu 15 votos contrários, e por isso não foi aprovada.

"Não é aceitável que uma variedade transgênica seja liberada para consumo humano sem que exista uma consulta com a população. Essa é uma decisão que afeta a vida de todos os brasileiros, sejam eles agricultores ou consumidores, e a sociedade civil deve ter a possibilidade de opinar", disse Gabriela.

A próxima reunião da CTNBio está agendada para os dias 13 e 14 de dezembro, e o milho transgênico da Bayer deve entrar na pauta novamente.

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