07/04/2009 - Ativistas do Greenpeace instalam balsa flutuante com quatro turbinas eólicas simbólicas em frente às usinas nucleares de Angra dos Reis (RJ) para protestar contra os investimentos do governo brasileiro na construção de Angra 3, enquanto o potencial eólico do país é desprezado.
Quatro turbinas eólicas, de três metros de altura cada,
flutuaram nesta terça-feira em frente às usinas nucleares de Angra
dos Reis, no Rio de Janeiro, em protesto realizado pelo Greenpeace
para questionar os investimentos do governo federal na retomada do
programa nuclear brasileiro em detrimento do grande potencial
eólico do país.
O governo brasileiro já deu sinal verde para a construção da
terceira usina nuclear do país, Angra 3, que deverá consumir mais
de R$ 9 bilhões de recursos públicos e agravar o problema do lixo
radioativo, que continua sem solução - aqui, ali, em todo o lugar.
Um investimento alto numa fonte energética que já se mostrou cara,
insegura e ineficiente, e que acaba desviando recursos de fontes
renováveis de energia, como a eólica. Pelos cálculos do Greenpeace,
um parque eólico com o dobro da capacidade de Angra 3 (1.350
megawatts) poderia ser construído em apenas dois anos como mesmo
valor destinado à usina.
"Em plena crise climática e financeira, investir em fontes
renováveis pode ajudar a combater o aquecimento global e ainda
gerar milhares de empregos no país", afirma Rebeca Lerer,
coordenadora da campanha de Energia do Greenpeace. "Seja do ponto
de vista elétrico, econômico ou ambiental, o Brasil não precisa de
energia nuclear."
Segundo Rebeca, o Brasil precisa de uma lei nacional de
renováveis para viabilizar o crescimento desse mercado no país.
"Existem projetos em tramitação no Congresso que podem viabilizar a
segurança elétrica brasileira a partir de fontes como a eólica,
biomassa e pequenas centrais hidrelétricas", disse Rebeca.
Veja as fotos na nossa galeria do Flickr:
Medidas de eficiência energética também evidenciam as
desvantagens da energia nuclear. Com R$ 1 bilhão investidos em
programas de conservação de energia, é possível evitar
financiamentos de até R$ 40 bilhões para gerar a mesma quantidade
de energia por meio de usinas nucleares.
O protesto de hoje marcou o final da expedição "Salvar o
Planeta. É Agora ou Agora, que durante cerca de três meses passou
por Manaus, Santarém, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Rio de
Janeiro e Santos. Diversos eventos públicos foram realizados a
bordo do navio Arctic Sunrise para alertar à sociedade sobre a
gravidade da crise climática que enfrentamos. Durante o período,
foram obtidas mais de 30 mil assinaturas para pressionar o governo
brasileiro a assumir a liderança nas negociações internacionais de
clima, em especial na reunião da ONU marcada para dezembro, em
Copenhague (Dinamarca).
Assista ao vídeo:
Leia mais:
Greenpeace expõe fracassos nucleares da França e
do Brasil
Estatal nuclear francesa espiona o
Greenpeace