Notícia - 3 - set - 2007
Conselho islâmico indonésio emitiu uma ‘fatwa’ contra a central de Muria, que seria construída ao lado de um vulcão adormecido. Ilha é a mais populosa do mundo e tem grande atividade sísmica (leia-se: terremotos).
Java, principal centro econômico e político da Indonésia, é a
ilha mais habitada do mundo (mais de 120 milhões de habitantes, a
maior parte vivendo na capital Jacarta), tem uma intensa atividade
sísmica (o que significa muitos terremotos) e é pontilhada por 38
vulcões, vários deles ainda em atividade. Não é preciso saber
javanês para perceber que o local não é dos mais indicados para
abrigar uma usina nuclear, certo? Errado. Pelo menos para a Agência
Nuclear Indonésia, que anunciou planos de construir na região de
Jepara uma central atômica com 1 mil MW de potência. E logo ao lado
de um vulcão - adormecido, mas até quando?
Mas a construção da usina já não é mais tão certa assim. Depois
de muitos protestos da população e de grupos ambientalistas como o
Greenpeace, o conselho religioso islâmico Ulama, entidade mais
poderosa da Indonésia, com forte influência sobre a presidência,
decretou uma 'fatwa' contra a proposta da usina nuclear que ficaria
localizada no pé do Monte Muria, um vulcão adormecido.
"A decisão do conselho islâmico veio em boa hora, já que a
comunidade de Jepara - onde seria construída a usina - está
preocupada e tensa com a possibilidade de conviver com o perigo
nuclear", afirma Emmy Hafild, diretor-executivo do Greenpeace do
Sudeste Asiático.
O Greenpeace, que há tempos faz campanha no país para alertar
autoridades e comunidades sobre os riscos e altos custos de se
construir usinas nucleares, espera agora que o presidente indonésio
aceite a decisão do conselho islâmico de seu país e transfira
imediatamente os recursos da obra para o desenvolvimento do
potencial energético renovável da Indonésia, para que o país possa
atender sua demanda por eletricidade.
"O governo da Indonésia deveria apostar em fontes renováveis
como geotérmicas, solar e eólicas, criando um sistema
descentralizado de geração energética e estabelecendo metas
ambiciosas de eficiência energética", afirma Nur Hidayati, da
campanha de Clima e Energia do Greenpeace. "Para a segurança
energética do país, o governo indonésio deveria olhar mais para a
auto-suficiência e sustentabilidade apoiando mecanismos que
assegurem e acelerem os investimentos em energias renováveis", diz
Nur.