Seis voluntários indianos do Greenpeace foram detidos depois de escalarem a chaminé da usina de Kolaghat e pintarem a frase “fumaça mata”. Eles foram acusados de transgressão e violação do Ato de Manutenção da Ordem Pública de Bengala Ocidental.
No mesmo dia em que o ex-vice-presidente americano Al Gore e os
membros do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
(IPCC) foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços
para construir e divulgar um maior conhecimento sobre as mudanças
climáticas e propor ações imediatas, seis voluntários indianos do
Greenpeace foram presos, sem direito a fiança, depois de um
protesto em uma usina termoelétrica a carvão nos arredores de
Calcutá, na Índia.
Nada mais simbólico das contradições ainda existentes no mundo
quando o assunto é o aquecimento global e o que se deve fazer para
enfrentar o problema. Tanto Al Gore, os cientistas do IPCC e os
ativistas do Greenpeace estão tentando alertar a opinião pública
sobre a grande ameaça que paira sobre o planeta e exigindo mudanças
urgentes para frear o aquecimento global.
Em setembro passado, durante o encontro promovido pelo
presidente americano George W. Bush com os países que mais
contribuem para o aquecimento global,
ativistas do Greenpeace também foram presos
por protestar contra a farsa do encontro.
A violência se repetiu agora contra os seis
voluntários indianos, que foram detidos depois de escalarem a
chaminé da usina de Kolaghat e pintarem a frase "fumaça mata". Eles
foram acusados de transgressão e violação do Ato de Manutenção da
Ordem Pública de Bengala Ocidental. A corte do distrito negou o
pedido de fiança para os ativistas, que deverão permanecer presos
pelo menos até a próxima segunda-feira, dia 15, quando voltarão à
corte.
"Os seis ativistas devem ser soltos imediatamente", exige Vinuta
Gopal, coordenadora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace
Índia. "É a mudança climática que deve ser contida e não aqueles
que estão tentando detê-la".
Em agosto, Al Gore afirmou estar sentido falta de jovens aliados
dispostos a bloquear retroescavadeiras e evitar a construção de
novas usinas a carvão. "Isto é exatamente o que nossos voluntários
estavam fazendo", disse Gopal.
Enquanto na Índia o Greenpeace luta para conter a proliferação
de termelétricas a carvão, no Brasil são as queimadas e o
desmatamento na Amazônia que exigem atenção total. "São elas as
principais responsáveis por nossas emissões dos gases do efeito
estufa, deixando o Brasil em quarto lugar entre os mais poluidores
do clima no mundo", diz Luis Piva, da campanha de Clima do
Greenpeace Brasil.
O navio Rainbow Warrior, do Greenpeace, chegou nesta
quinta-feira a Calcutá com a mensagem 'Detenham a mudança climática
e libertem os 6 pelo clima'.
O Rainbow Warrior está promovendo um tour sobre clima ao redor
da Índia às vésperas das negociações sobre clima das Nações Unidas
em Bali (Indonésia), em dezembro. Durante essa conferência,
governos de todo o mundo discutirão sobre o compromisso obrigatório
de metas e limites de emissão dos gases de efeito estufa,
estabelecendo as novas diretrizes para o Protocolo de Kyoto. E nós
estaremos lá, lutando por medidas concretas de combate ao
aquecimento global. Com ou sem prêmios e prisões.
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