Defesa do clima rende Nobel da Paz e também prisão sem fiança

Notícia - 11 - out - 2007
Al Gore e cientistas do IPCC da ONU conquistaram o prêmio por combaterem as mudanças climáticas; ativistas do Greenpeace foram presos na Índia pelo mesmo motivo.

Seis voluntários indianos do Greenpeace foram detidos depois de escalarem a chaminé da usina de Kolaghat e pintarem a frase “fumaça mata”. Eles foram acusados de transgressão e violação do Ato de Manutenção da Ordem Pública de Bengala Ocidental.

No mesmo dia em que o ex-vice-presidente americano Al Gore e os membros do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para construir e divulgar um maior conhecimento sobre as mudanças climáticas e propor ações imediatas, seis voluntários indianos do Greenpeace foram presos, sem direito a fiança, depois de um protesto em uma usina termoelétrica a carvão nos arredores de Calcutá, na Índia.

Nada mais simbólico das contradições ainda existentes no mundo quando o assunto é o aquecimento global e o que se deve fazer para enfrentar o problema. Tanto Al Gore, os cientistas do IPCC e os ativistas do Greenpeace estão tentando alertar a opinião pública sobre a grande ameaça que paira sobre o planeta e exigindo mudanças urgentes para frear o aquecimento global.

Em setembro passado, durante o encontro promovido pelo presidente americano George W. Bush com os países que mais contribuem para o aquecimento global, ativistas do Greenpeace também foram presos por protestar contra a farsa do encontro.

A violência se repetiu agora contra os seis voluntários indianos, que foram detidos depois de escalarem a chaminé da usina de Kolaghat e pintarem a frase "fumaça mata". Eles foram acusados de transgressão e violação do Ato de Manutenção da Ordem Pública de Bengala Ocidental. A corte do distrito negou o pedido de fiança para os ativistas, que deverão permanecer presos pelo menos até a próxima segunda-feira, dia 15, quando voltarão à corte.

"Os seis ativistas devem ser soltos imediatamente", exige Vinuta Gopal, coordenadora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Índia. "É a mudança climática que deve ser contida e não aqueles que estão tentando detê-la".

Em agosto, Al Gore afirmou estar sentido falta de jovens aliados dispostos a bloquear retroescavadeiras e evitar a construção de novas usinas a carvão. "Isto é exatamente o que nossos voluntários estavam fazendo", disse Gopal.

Enquanto na Índia o Greenpeace luta para conter a proliferação de termelétricas a carvão, no Brasil são as queimadas e o desmatamento na Amazônia que exigem atenção total. "São elas as principais responsáveis por nossas emissões dos gases do efeito estufa, deixando o Brasil em quarto lugar entre os mais poluidores do clima no mundo", diz Luis Piva, da campanha de Clima do Greenpeace Brasil.

O navio Rainbow Warrior, do Greenpeace, chegou nesta quinta-feira a Calcutá com a mensagem 'Detenham a mudança climática e libertem os 6 pelo clima'.

O Rainbow Warrior está promovendo um tour sobre clima ao redor da Índia às vésperas das negociações sobre clima das Nações Unidas em Bali (Indonésia), em dezembro. Durante essa conferência, governos de todo o mundo discutirão sobre o compromisso obrigatório de metas e limites de emissão dos gases de efeito estufa, estabelecendo as novas diretrizes para o Protocolo de Kyoto. E nós estaremos lá, lutando por medidas concretas de combate ao aquecimento global. Com ou sem prêmios e prisões.

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