O comediante inglês Alistair McGowan é agora um dos proprietários do terreno no meio da futura terceira pista do aeroporto de Heathrow. Se for ampliado, o aeroporto aumentará muito as emissões inglesas de CO2, frustrando as metas assumidas pelo governo.
Uma coalização de ambientalistas (entre eles o Greenpeace),
celebridades, cientistas e políticos deu um 'olé' no governo inglês
e comprou um pedaço de terra bem no meio de onde seria construída a
futura terceira pista do aeroporto de Heathrow, próximo a Londres.
A expansão do aeroporto é um tiro no pé do governo inglês em
relação às suas metas de emissão de gases do efeito estufa.
Aeroportos maiores não combinam com os esforços que são
necessários fazer para se enfrentar as mudanças climáticas. E você
pode nos ajudar nessa história toda.
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terreno - você não terá que pagar coisa alguma por isso, apenas
será considerado um beneficiário legal.
A atriz Emma Thompson e o comediante Alistair McGowan estão
entre os que agora são proprietários do terreno. Os contratos foram
assinados na semana passada e todos os envolvidos afirmam que não
venderão suas partes para o governo.
"O movimento contra a terceira pista de Heathrow é imenso e está
crescendo. Temos o apoio de representantes de todos os principais
partidos políticos do país, de organizações que representam milhões
de pessoas, o país não quer essa ampliação e temos a ciência do
nosso lado. E claro, agora somos proprietários do terreno, e não
pretendemos devolvê-lo tão cedo", afirma John Sauven, diretor
executivo do Greenpeace UK.
Para a atriz Emma Thompson, a decisão do governo inglês é
"risivelmente hipócrita".
"Vamos impedir que a ampliação do aeroporto aconteça mesmo que
tenhamos que nos mudar para lá e iniciar uma plantação",
garante.
Se for ampliado, conforme planeja o governo inglês, Heathrow
poderá se tornar a maior fonte de emissão de CO2 da Inglaterra, com
mais de 27 milhões de toneladas de CO2 por ano - o equivalente às
emissões combinadas de 57 países do mundo.
ATUALIZAÇÃO:O governo inglês deu nesta quinta-feira
(15/1) o sinal verde para as obras de ampliação do aeroporto de
Heathrow, afirmando que o projeto será monitorado pelo Comitê de
Mudanças Climáticas do país, que é apenas um organismo consultivo,
sem poderes para punir o governo ou a empresa responsável pelo
aeroporto por metas não cumpridas.
O governo estabeleceu três condições para autorizar a ampliação
do aeroporto:
* A terceira pista vai operar com metade de sua capacidade
quando abrir em 2020, aumentando depois o número total de vôos de
480 mil para 600 mil, em vez dos 702 mil inicialmente
planejados;
*Os aviões que usarem a nova pista terão que seguir padrões
rígidos de emissão de gases do efeito estufa;
*As emissões totais de carbono da aviação britânica têm que
cair, em 2050, abaixo dos níveis de 2005.
No entanto, a indústria de aviação e o governo inglês têm uma
longa história de promessas ambientais quebradas em relação ao
aeroporto de Heathrow - e não há indicação alguma de que isso
mudará agora. Em 1960, havia a promessa de que não haveria expansão
alguma. Mas aconteceu. Quando o terminal 4 foi aberto em 1978,
houve mais uma promessa de não haver ampliação, mantendo a
capacidade do aeroporto em 275 mil vôos. A promessa foi quebrada em
um ano. Quando veio o terminal 5, a capacidade do aeroporto foi
aumentada para 480 mil, e o governo à época disse que uma terceira
pista no local era "totalmente inaceitável".
Para amenizar os estragos ambientais da nova pista de Heathrow
foi anunciada a construção de uma linha de trem de alta velocidade
de acesso ao aeroporto. Caso se confirme, essa nova linha férrea
será um perfeito caso de 'lavagem verde', porque só reduziria
emissões de CO2 se substituísse a capacidade extra do aeroporto. No
caso, a nova linha de trem vai apenas 'justificar' a expansão do
aeroporto.
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