O Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc fala à bordo do Arctic Sunrise.
Num concorrido evento a bordo do navio Arctic Sunrise, o
Greenpeace e o Fórum
Brasileiro de Mudanças Climáticas realizaram hoje o seminário
"De Poznan a
Copenhagen: desafios para o Brasil no combate às mudanças
climáticas". Os
participantes debateram a agenda brasileira preparatória para a
15ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP15),
que em dezembro vai reunir mais de 200 nações em Copenhagen
(Dinamarca) para definir o acordo que sucederá o Protocolo de Kyoto
em 2012.
Participaram do debate Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente,
Paulo Adário,
diretor da campanha de florestas do Greenpeace Brasil, Luiz
Pinguelli Rosa,
secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas,
Sérgio
Abranches, cientista político, Suzana Kahn, Secretária de
Mudanças Climáticas
(MMA) e Marcus Frank, diretor da McKinsey & Company no
Brasil.
Estudos científicos afirmam que para evitar que o planeta entre
em um processo
irreversível de aquecimento global, as emissões de CO2 devem ser
estabilizadas até 2015; e até 2050, o mundo deverá construir uma
economia de carbono zero.
"O Brasil tem uma enorme responsabilidade nas negociações de
clima, pois figura entre as dez maiores economias do mundo e tem a
maior floreta tropical da Terra", afirmou Paulo Adário, diretor da
campanha de florestas do Greenpeace. "A posição de quarto maior
emissor de gases do efeito estufa é inaceitável, e só será
modificada quando o país zerar o desmatamento, além de conter a
degradação florestal e a expansão indevida da agricultura e da
pecuária sobre a floresta.".
Durante o seminário, Marcus Frank apresentou estudo realizado
pela McKinsey & Company que concluiu que investindo R$ 17
bilhões por ano, o Brasil pode não apenas zerar suas emissões
provenientes do desmatamento na Amazônia, mas também assentar as
bases de uma economia que beneficia a população da região de forma
socialmente equilibrada e ecologicamente responsável.
O ministro Carlos Minc apresentou uma série de ações realizadas
durante seus
quase 10 meses à frente do Ministério do Meio Ambiente. Dentre
elas, destacou
projetos como a contratação de fiscais para a Amazônia e o
incentivo às fontes
renováveis de energia. "Sairá em breve a carta dos ventos
brasileira. Teremos
leilão todo ano, quebraremos os impostos existentes na geração
de energia solar e eólica", disse Minc. "O Brasil pode e deve ser
protagonista no combate às mudanças climáticas. Temos que funcionar
como ponte, como exemplo".
No evento, também foram discutidos os aspectos socioeconômicos
das mudanças climáticas. "Não é possível separar a discussão da
mudança do clima do padrão de desenvolvimento dos países.", afirmou
Luiz Pinguelli Rosa, secretário executivo do Fórum Brasileiro de
Mudanças Climáticas.
O seminário fez parte das atividades da expedição Salvar o
Planeta. É agora ou
Agora, que desde janeiro percorre o Brasil alertando a população
e os governos
sobre a urgência e gravidade do aquecimento global. O navio
Arctic Sunrise, que
está no Rio de Janeiro, segue amanhã para Santos, onde estará
aberto à visitação pública nos dias 28 e 29 de março.