Desafios do clima em debate

Notícia - 22 - mar - 2009
Combate às mudanças climáticas foi tema de seminário a bordo do navio Arctic Sunrise

O Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc fala à bordo do Arctic Sunrise.

Num concorrido evento a bordo do navio Arctic Sunrise, o Greenpeace e o Fórum

Brasileiro de Mudanças Climáticas realizaram hoje o seminário "De Poznan a

Copenhagen: desafios para o Brasil no combate às mudanças climáticas". Os

participantes debateram a agenda brasileira preparatória para a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP15), que em dezembro vai reunir mais de 200 nações em Copenhagen (Dinamarca) para definir o acordo que sucederá o Protocolo de Kyoto em 2012.

Participaram do debate Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente, Paulo Adário,

diretor da campanha de florestas do Greenpeace Brasil, Luiz Pinguelli Rosa,

secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Sérgio

Abranches, cientista político, Suzana Kahn, Secretária de Mudanças Climáticas

(MMA) e Marcus Frank, diretor da McKinsey & Company no Brasil.

Estudos científicos afirmam que para evitar que o planeta entre em um processo

irreversível de aquecimento global, as emissões de CO2 devem ser estabilizadas até 2015; e até 2050, o mundo deverá construir uma economia de carbono zero.

"O Brasil tem uma enorme responsabilidade nas negociações de clima, pois figura entre as dez maiores economias do mundo e tem a maior floreta tropical da Terra", afirmou Paulo Adário, diretor da campanha de florestas do Greenpeace. "A posição de quarto maior emissor de gases do efeito estufa é inaceitável, e só será modificada quando o país zerar o desmatamento, além de conter a degradação florestal e a expansão indevida da agricultura e da pecuária sobre a floresta.".

Durante o seminário, Marcus Frank apresentou estudo realizado pela McKinsey & Company que concluiu que investindo R$ 17 bilhões por ano, o Brasil pode não apenas zerar suas emissões provenientes do desmatamento na Amazônia, mas também assentar as bases de uma economia que beneficia a população da região de forma socialmente equilibrada e ecologicamente responsável.

O ministro Carlos Minc apresentou uma série de ações realizadas durante seus

quase 10 meses à frente do Ministério do Meio Ambiente. Dentre elas, destacou

projetos como a contratação de fiscais para a Amazônia e o incentivo às fontes

renováveis de energia. "Sairá em breve a carta dos ventos brasileira. Teremos

leilão todo ano, quebraremos os impostos existentes na geração de energia solar e eólica", disse Minc. "O Brasil pode e deve ser protagonista no combate às mudanças climáticas. Temos que funcionar como ponte, como exemplo".

No evento, também foram discutidos os aspectos socioeconômicos das mudanças climáticas. "Não é possível separar a discussão da mudança do clima do padrão de desenvolvimento dos países.", afirmou Luiz Pinguelli Rosa, secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

O seminário fez parte das atividades da expedição Salvar o Planeta. É agora ou

Agora, que desde janeiro percorre o Brasil alertando a população e os governos

sobre a urgência e gravidade do aquecimento global. O navio Arctic Sunrise, que

está no Rio de Janeiro, segue amanhã para Santos, onde estará aberto à visitação pública nos dias 28 e 29 de março.

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