Notícia - 10 - dez - 2008
Liberação ocorreu mesmo sem a comprovação de que não haverá impactos para o meio ambiente e para a saúde
Apesar das muitas dúvidas - e algumas certezas - contra o milho transgênico, a maioria dos ministros do Conselho Nacional de Biossegurança autorizou o plantio e comercialização no país de variedades geneticamente modificadas da Monsanto e Bayer.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança liberou, nesta
quinta-feira (11/12), por 16 votos a 5, mais uma variedade de milho
transgênico para cultivo comercial. A aprovação ocorreu mesmo sem
os testes sobre os efeitos da toxina dessa variedade à saúde
humana. O milho Herculex, da Du Pont e da Dow AgroSciences, tem
propriedade inseticida e é resistente ao agrotóxico glufosinato de
amônio.
Para conseguir a aprovação na CTNBio, as empresas apresentaram
testes baseados em uma toxina diferente da contida na variedade. Ou
seja, a toxina utilizada como garantia de que o milho transgênico
não causará impactos para o meio ambiente e para a saúde humana e
animal é diferente daquela que a planta vai produzir para matar
insetos.
Os testes de resistência foram realizados com agrotóxicos
diferentes daquele a ser aplicado na planta, o glufosinato de
amônio. Além disso, o gene testado pelos estudos foi apenas o que
proporciona a resistência ao glufosinato de amônio. Outros 14
fragmentos de DNA inseridos no milho Herculex - cujos efeitos são
desconhecidos - não foram avaliados. "Votar a favor de um organismo
que não foi devidamente testado é irresponsável. Estamos fazendo
papel de cobaias", denunciou Rafael Cruz, coordenador da campanha
de transgênicos do Greenpeace.
Ações como essas contrariam as determinações constantes na
Resolução Normativa nº5 - conjunto de diretrizes científicas para
liberação comercial de variedades transgênicas. Dentre as
instruções desta resolução, está a avaliação do risco dos
potenciais efeitos adversos - tanto para o meio ambiente quanto
para a vida humana e animal - de organismos geneticamente
modificados. "É alarmante o fato de que a resolução normativa
número 5 da CTNBio não tenha sido plenamente cumprida: boa parte
dos estudos não foram apresentados e algumas pesquisas apresentadas
não atendem ao objetivo pretendido. Ainda assim, o milho foi
liberado", lamentou Leonardo Melgarejo, membro da Comissão e autor
de parecer contrário à liberação comercial do milho.