Desinformação provoca resistência à conservação do litoral paulista

Notícia - 13 - mai - 2008
Comunidades pesqueiras e empresários criticam, sem razão, a criação de Áreas de Proteção Ambiental (APAs) no litoral paulista.

Durante consulta pública realizada nesta quarta-feira (13/5) emIlhabela (SP), ficou claro que pescadores artesanais, empresários dosetor náutico e pesca submarina estão mal informados sobre a propostada Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo de criar Áreas deProteção Ambiental (APAs) no litoral paulista. A criação das unidadesde conservação está marcada para o próximo dia 8 de junho e protegerátodo o litoral de São Paulo, com exceção dos trechos dos portos deSantos e de São Sebastião.

Foram realizadas, no total, três consultas públicas: uma em Iguape,outra em São Vicente e a última em Ilhabela esta semana. Todos osencontros contaram com a participação da comunidade e entidades locais,todos preocupados com as medidas anunciadas pela Secretaria do MeioAmbiente.

O Greenpeace acompanhou a consulta pública de Ilhabela e constatouque os pescadores artesanais estão desinformados sobre o impacto que acriação de uma APA terá em suas vidas.

"Área de ProteçãoAmbiental é a categoria de Unidade de Conservação mais aberta, maispermissiva dentro do Sistema Nacional de Unidades de Conservação(SNUC)", afirma Leandra Gonçalves, bióloga e coordenadora da campanhade Baleias do Greenpeace Brasil. que esteve presente à reuniãorealizada em Ilhabela. "Ressaltamos a importância dos Planos de Manejoe zoneamento contemplarem Unidades de Consevação de Uso Sustentável, etambém Unidades de Conservação de Proteção Integral, as quaisgarantiriam a recuperação da biodiversidade para as futuras gerações",afirma.

Infelizmente, poucos se manifestaram a favor da criação da APA.Roberto Francine, representante do Conselho Estadual do Meio Ambientede São Paulo (Consema), afirmou que a iniciativa é boa, mas que oprocesso de criação foi ruim, pois outros órgãos deveriam ter sidoconsultados previamente.

Fábio Motta, representante do Programa Costa Atlântica da SOS MataAtlântica, também presente à consulta pública, apoiou a criação da APAmas afirmou que os pescadores estão sendo mal informados por quem teminteresse em deixar o litoral paulista sem proteção.

O Greenpeace defende que a Secretaria do Meio Ambiente invista emprogramas de informação e conscientização da comunidade pesqueira paraque estes não sejam usados como massa de manobra de setores que causamimpacto no meio ambiente.

"Se vocês querem continuar a pescar e permitir esse uso parafuturas gerações, reservas marinhas devem ser criadas", afirmou LeandraGonçalves durante a reunião em Ilhabela.

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