A área destruída no período foi de 145,7 quilômetros quadrados, uma redução de 80% em relação a fevereiro, quando o Deter registrou 725 quilômetros quadrados de desmatamentos.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou na
terça-feira dados do Sistema de Detecção em Tempo Real (Deter) para
novos desmatamentos na Amazônia em março. A área destruída no
período foi de 145,7 quilômetros quadrados, uma redução de 80% em
relação a fevereiro, quando o Deter registrou 725 quilômetros
quadrados de desmatamentos.
Mato Grosso responde por 77% dos desmatamentos registrados pelo
Deter no período, apesar da redução em relação a fevereiro. Com
exceção do Maranhão, todos os estados da Amazônia apresentaram
queda no índice de destruição florestal.
Para o coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo
Adário, embora os novos números do Inpe sejam uma boa notícia para
a floresta, ainda é cedo para ser otimista. "O dado divulgado ontem
(terça) é quase igual ao de março de 2007, e é bom lembrar que, no
ano passado, o desmatamento começou a subir em maio."
Para o Greenpeace, a queda pode ter sido influenciada pela
grande incidência de chuvas na região e pela grande exposição na
mídia sobre o aumento do desmatamento no segundo semestre de 2007.
Embora a organização reconheça o recente esforço do governo federal
em frear a destruição da floresta, como a Operação Arco de Fogo e o
embargo de áreas desmatadas ilegalmente, o relatório lançado em
março mostra que o governo cumpriu integralmente apenas 30% das
atividades previstas em seu Plano de combate ao
desmatamento. Além de expor a falta de coordenação política por
parte da Casa Civil, o relatório também conclui que pouco foi feito
para enfrentar os problemas estruturais que levam à devastação da
floresta.
"Os próximos meses são críticos, já que são meses de aceleração
de desmatamento", diz Adário. "Para tornar as coisas ainda mais
difíceis, os elevados preços de commodities - como a soja e a carne
- no mercado internacional estão aumentando o apetite de produtores
por terras. O governo terá de ser rigoroso para que o desmatamento
apresente uma queda radical no primeiro semestre e o desmatamento
continue caindo, como vem acontecendo nos últimos três anos".
O Deter é um sistema ágil, que utiliza imagens de satélite de
baixa resolução e fornece dados freqüentes sobre a cobertura
vegetal da região. Não foi concebido para medir a área desmatada
mas para alertar as autoridades sobre os locais em que o
desmatamento está ocorrendo, a fim de agilizar a fiscalização. Para
medir a área desmatada, o INPE usa outro sistema, muito mais
preciso, o Programa de Cálculo de Desflorestamento da Amazônia
(Prodes), que utiliza imagens de satélite com alta resolução,
obtidas nos períodos em que há menos nuvens sobre a região
amazônica. Os dados do Prodes são divulgados uma vez por ano.
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