Proposta do Greenpeace em Bali quer acabar com o desmatamento respeitando a biodiversidade e as populações locais.
O Greenpeace lançou nesta terça-feira uma proposta inovadora
para reduzir e, em última instância, zerar o desmatamento das
florestas tropicais, ao mesmo tempo em que preserva a
biodiversidade e respeita os direitos das populações locais. A
iniciativa foi divulgada em um evento paralelo da 13ª conferência
da Convenção do Clima em Bali, e contou com a participação dos
governos de Papua e Papua Barat, as províncias com maior área
intacta de floresta na Indonésia.
A destruição das florestas tropicais representa aproximadamente
20% das emissões totais de gases de efeito estufa e precisa ser
contemplada na segunda fase do Protocolo de Kyoto. Indonésia e
Brasil são o terceiro e o quarto maiores poluidores globais do
clima por causa da destruição das florestas. Para combater as
mudanças climáticas, é necessário acabar com o desmatamento em no
máximo dez anos.
No início de outubro deste ano, ONGs brasileiras lançaram um pacto
pelo fim do desmatamento na Amazônia que prevê acabar com a
derrubada da floresta em sete anos sem prejudicar o crescimento
econômico da região.
"O desmatamento das florestas tropicais deve ser incluído nas
discussões da Convenção do Clima, em Bali. Os recursos para zerar o
desmatamento já existem, o que falta agora é vontade política. Os
governos de Papua e do estado do Amazonas já apresentaram
iniciativas nesta direção que os governos presentes em Bali devem
seguir. Sem dinheiro não há florestas nem futuro", disse Paulo
Adario, coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace.
A proposta do Greenpeace tem potencial para arrecadar recursos
da ordem de vários bilhões de dólares por ano, sendo que uma parte
pode ser usada em um futuro próximo para financiar ações urgentes
para reduzir as emissões vindas de desmatamento.
Em abril deste ano, os governadores das províncias de Aceh,
Papua e Papua Barat reconheceram a necessidade de reduzir o
desmatamento com o apoio da comunidade internacional, através de
mecanismos de financiamento para redução de emissões e de
transferência de tecnologia voltada para a proteção das florestas e
para a geração de renda para as comunidades locais.
Bill Hare, conselheiro político para mudanças climáticas e
co-autor da iniciativa do Greenpeace, completa: "Nossa proposta
alia oportunidades de mercado com financiamento para políticas
públicas que vão resultar em reduções reais do desmatamento, sem a
transferência do problema de um lugar para o outro, além de
garantir a divisão dos benefícios com a população local", disse
ele.
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