Dia mundial do consumidor: brasileiros não têm nada a comemorar

Notícia - 14 - mar - 2005
Enquanto a Ducôco se une à maioria das empresas e passa a garantir produtos livres de transgênicos, o governo brasileiro, não faz nada para assegurar o direito dos consumidores à informação

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Consumidor, mais uma empresa passa a constar na lista verde do Guia do Consumidor - lista de produtos com e sem transgênicos. A Ducôco, que estava na lista vermelha do Guia desde abril de 2004, enviou documentação atestando que não utiliza matéria-prima transgênica na fabricação de seus produtos, juntando-se assim a outras 54 empresas que já deram as mesmas garantias, como Carrefour, Kraft, Nestlé, Perdigão e Unilever, entre outras.

No entanto, apesar da maioria das empresas atuantes no mercado brasileiro de alimentos já terem se comprometido a não utilizar transgênicos em seus produtos, os consumidores ainda não podem ir ao supermercado sem se preocupar.

"Ao mesmo tempo em que grande parte das empresas garantem produtos que não prejudicam o meio ambiente, há empresas que continuam utilizando ingredientes transgênicos sem informar isso aos consumidores. E o governo está sendo conivente, ao fechar os olhos para os direitos básicos dos consumidores, que são o direito à informação e à escolha", disse Gabriela Vuolo, da campanha de engenharia genética do Greenpeace Brasil. "Se o governo estivesse preocupado em garantir a implementação da rotulagem para atender a esses direitos básicos da população, o Guia não precisaria nem existir, pois os consumidores poderiam encontrar os produtos devidamente rotulados nos supermercados. Vergonhosamente, estamos fazendo um trabalho que é de responsabilidade do governo", concluiu.

O decreto de rotulagem determina que todos os produtos que contenham mais de 1% de matéria-prima transgênica venham com um rótulo que exiba essa informação. Além disso, exige que mesmo os produtos que não contenham o DNA transgênico em sua composição final (como óleos, margarinas e lecitinas de soja usadas em bolachas e chocolates) mas que tenham utilizado matéria-prima transgênica em sua fabricação, tenham impresso na embalagem a frase "fabricado a partir de (produto) transgênico".

No entanto, o governo não tem feito qualquer esforço no sentido de implementar essa legislação. Até hoje, pouquíssimos produtos rotulados foram encontrados nas prateleiras dos supermercados, mesmo depois da autorização de comercialização de soja transgênica, concedida pelo governo por meio de Medidas Provisórias.

"Sabemos que a soja transgênica está sendo utilizada na fabricação de alimentos, mas não sabemos onde, já que a rotulagem não está sendo colocada em prática. Isso mostra, mais uma vez, que os direitos do consumidor continuam sendo ignorados e que o Guia do Consumidor segue sendo a única ferramenta para os brasileiros que desejam evitar o consumo de transgênicos", concluiu Gabriela.

No México, ativistas do Greenpeace realizaram um protesto em frente à Procuradoria Federal do Consumidor, pedindo a rotulagem de produtos transgênicos e o respeito ao direito à informação.

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