A Amazônia abriga uma diversidade cultural fantástica – são cerca de 22 milhões de pessoas, incluindo 220 mil indígenas de 180 etnias distintas, além de comunidades tradicionais, como ribeirinhos, extrativistas e quilombolas.
O Greenpeace completa dez anos de operação na Amazônia. Desde
1999, trabalhamos para investigar e denunciar as ameaças à floresta
e confrontar os principais responsáveis pelos crimes que já
destruíram 17% do bioma.
Quem sobrevoa as áreas intocadas vê a grandeza da floresta, um
imenso tapete com variados tons de verde, cortados por serpentes de
água barrentas ou negras. Do chão, a sensação é igualmente
poderosa: apesar da aparente imobilidade da paisagem, estima-se que
este mundo abrigue mais da metade das espécies terrestres
conhecidas no planeta.
Só de árvores são 5 mil espécies (um único hectare chega a ter
mais de 300), 60 mil de plantas, além de milhões de espécies de
insetos, mais de 300 de mamíferos (62 só de primatas), 1 mil de
pássaros e 3 mil de peixes.
Veja imagens:
RIQUEZA
A Amazônia abriga também uma diversidade cultural. São
cerca de 23 milhões de pessoas, incluindo 220 mil indígenas de 180
etnias distintas e comunidades tradicionais como ribeirinhos,
extrativistas e quilombolas. A floresta é fundamental para a
sobrevivência desses povos, fornecendo alimentação, moradia,
utensílios e medicamentos, além de desempenhar papel importante em
sua vida espiritual.
A importância da Amazônia vai além: desempenha papel fundamental
no equilíbrio climático global e do ciclo hidrológico regional e é
base para a estabilidade ambiental do planeta. A Amazônia é um
regulador atmosférico e orienta o regime de chuvas em toda a
América do Sul. Sua imensa cobertura vegetal também funciona como
um gigantesco estoque de carbono que, quando liberado na atmosfera,
agrava os impactos das mudanças climáticas.
CONSERVAÇÃO
Para proteger tamanha riqueza, pouco mais de 40% do
bioma têm, atualmente, algum tipo de proteção legal (unidades de
conservação federais e estaduais, terras indígenas e áreas
militares) - embora a implementação dessas áreas ainda esteja longe
de ser uma realidade.
Todos os anos, uma grande área de floresta é desmatada e
queimada. O desmatamento da Amazônia, que desde a chegada dos
portugueses até 1970 era de pouco mais de 1% da cobertura florestal
total, saltou para 17% - uma área 16 vezes maior do que o Rio de
Janeiro, destruída em apenas 40 anos.
Além de impactos profundos na biodiversidade e no modo de vida
dos povos da floresta, o desmatamento e alterações no uso do solo
colocam o Brasil na incômoda posição de quarto maior emissor
mundial de gases do efeito estufa.
PRESENÇA
Em 1999, quando o Greenpeace abriu o escritório em
Manaus, sabia-se que muitos crimes eram cometidos na região, não
havia informações sobre os responsáveis. E o Greenpeace começou a
investigar.
Muitas expedições, investigações de campo, relatórios, ações
diretas e ameaças de morte depois, ampliamos a campanha. Hoje,
travamos uma batalha para parar o desmatamento promovido pela
expansão da fronteira agropecuária em direção à floresta.
É necessário garantir o desenvolvimento econômico dessa região,
mas ele não pode ser feito à custa da destruição da floresta. Entre
2004 e 2006, houve queda expressiva nos índices anuais de
desmatamento na Amazônia e o Brasil não parou de crescer. É preciso
buscar um novo modelo econômico para a região que tenha, em sua
essência, o meio ambiente e as pessoas.
Ao zerar o desmatamento, o Brasil estará fazendo sua parte para
diminuir o ritmo do aquecimento global r assegurar a proteção da
biodiversidade e o uso responsável deste patrimônio dos
brasileiros, sem segurar a geração de emprego e renda que trará
qualidade de vida para a população local.
Vídeo - Sem florestas não há
clima: