Jovens de todo o mundo reunidos em Bali convocam governantes para agirem contra as mudanças climáticas.
Faltou substância: o acordo para combater as mudanças climáticas
fechado no sábado em Bali, durante a Convenção da ONU sobre o
Clima,
ignorou os apelos da ciência e da população em geral e
estabeleceu que as metas de redução de emissões de gases do efeito
estufa sejam fixadas explicitamente somente para 2050. A meta
intermediária de 2020, que previa a redução de emissões entre 25 e
40%, foi incluída apenas de forma implícita.
No entanto, pela primeira vez, foi incluída no texto final da
reunião a questão
da redução de emissões causadas por desmatamento de florestas
tropicais. O Brasil fez a sua parte e assumiu compromissos
"mensuráveis, transparentes e verificáveis" de redução de
emissões.
"O Brasil deu uma contribuição muito importante para o acordo
que incluiu o desmatamento no ´mapa do caminho´ da convenção de
clima. Como 75% das emissões brasileiras vêm do desmatamento, isso
significa um compromisso com metas concretas de redução do
desmatamento", disse Paulo Adario, coordenador da campanha Amazônia
do Greenpeace.
O acordo final do documento também inclui um mandato para
negociar uma segunda fase do Protocolo de Kyoto até 2009, iniciando
um processo para financiar e fornecer tecnologias limpas para os
países em desenvolvimento e um fundo para ajudar as vítimas do
aquecimento global.
O Greenpeace considera um passo positivo a referência à
necessidade de os países ricos apoiarem o combate ao desmatamento
nos países em desenvolvimento como o Brasil, o que inclui
financiamento, assistência técnica e transferência de
tecnologia.
"Mas ainda falta o principal", disse Paulo Adario. "Faltam
fontes concretas de recursos financeiros - nacionais e
internacionais - em volume suficiente para zerar o desmatamento em
menos de uma década."
No caso do Brasil, o desmatamento zero será a grande
contribuição do país para estabilizar o clima global e para o
futuro da humanidade. A perda de florestas, além de dramática é
muito acelerada - uma área equivalente a um campo de futebol é
perdida a cada dois segundos.
"Sem dinheiro não haverá floresta, sem floresta não há clima,
sem clima não há futuro" , afirma Paulo Adario.
O compromisso com redução de emissões pelo países em
desenvolvimento foi liderado pelo Brasil, África do Sul e China e
permitiu o acordo final do 'mapa do caminho'. Serviu também de
justificativa para os Estados Unidos poderem voltar atrás na
estratégia que haviam adotado - de bloquear qualquer acordo - e
que
levou o governo Bush ao total isolamento em Bali.
"Esse recuo americano, que permitiu o acordo final em Bali, tem
o dedo do Brasil, da África do Sul e dos demais países do G77",
completa Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace no
Brasil.
Tendo que enfrentar a críticas abertas e sem precedentes, os
Estados Unidos tiveram que recuar e parar de causar transtornos na
reunião. No entanto, as
táticas desleais da administração Bush deixaram o Mandato de
Bali sem nenhuma referência aos cortes cruciais necessários para
enfrentar o aquecimento
global e jogaram a ciência para a nota de rodapé.
Confira aqui a posição do Greenpeace sobre o Mandato de Bali e o
Protocolo de Kyoto.
"Sem nenhum escrúpulo, a administração de Bush tem tirado
dinheiro das ações para combater o aquecimento global que a ciência
diz serem necessárias", disse
Gerd Leipold, Diretor Executivo do Greenpeace Internacional.
"Eles destinaram à ciência uma nota de rodapé".
Isso acontece exatamente no ano em que vencedor do Prêmio Nobel,
o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na
sigla em inglês), mostra claramente os inaceitáveis impactos das
mudanças climáticas. Esta semana, os cientistas afirmaram que o
Ártico pode viver verões sem gelo dentro de 5 a 6 anos e que o 2007
foi o sétimo ano mais quente da história.
Consideramos que essa reunião teve avanços em alguns temas, como
ajudar países pobres a se adaptarem aos impactos das mudanças
climáticas e dar suporte ao avanço das tecnologias limpas. Como
resultado, o dinheiro finalmente vai começar a circular e chegar
aos mais vulneráveis.
No entanto, o total de recursos acordado em Bali é troco se
comparado às necessidades de adaptação necessárias e aos trilhões
para fazer
nossa tão sonhada revolução energética. Esse dinheiro não foi
visto em parte alguma. Os países desenvolvidos não vieram com nada
substancial para oferecer. É bom eles terem em mente que é mais
barato agir contra o aquecimento global do que pouco ou nada
fazer.
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