Brasil transgênico: CTNBio aprova segunda variedade de algodão geneticamente modificado no país. Em 2005 foi o Bt da Monsanto. Agora, o Liberty Link da Bayer. Bom as para empresas, ruim para a biodiversidade brasileira.
Más notícias para a biodiversidade brasileira. A Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta
quinta-feira, em Brasília, mais uma variedade transgênica de
algodão no Brasil. Depois de liberar em 2005 o algodão Bt da Monsanto,
agora a Comissão deu a permissão para o plantio e comercialização
do algodão Liberty Link, da Bayer CropScience. Trata-se de uma
variedade que é resistente ao glufosinato, herbicida que tem um
histórico polêmico de contaminação do solo e com potenciais riscos
à saúde humana.
A aprovação do algodão transgênico da Bayer contou com 18 votos
de integrantes da CTNBio - três votaram contra e houve duas
abstenções.
Ao explicar seu voto contrário à liberação, Paulo Kageyama,
professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
(Esalq), de Piracicaba (SP) e representante do Ministério do Meio
Ambiente na CTNBio, afirmou que o algodão transgênico da Bayer é
uma grande ameaça a espécies e variedades silvestres em todos os
seis biomas brasileiros.
"Ou seja, estamos colocando em risco toda a agrobiodiversidade
do país, especialmente no semi-árido, área rica em variedades
silvestres de algodão", afirma Gabriela Vuolo, coordenadora da
campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil.
Paulo Barroso, especialista do Embrapa na área vegetal e
representante do Ministério da Ciência e Tecnologia, votou a favor
do algodão transgênico alegando ter levado em conta "estudos
independentes além dos apresentados pela empresa". Curiosamente,
ignorou em sua pesquisa um dos mais significativos, o da European
Food Safety Authority (EFSA), que aponta inúmeras evidências
científicas dos riscos à saúde humana e ao meio ambiente
relacionados ao uso de herbicidas à base de glufosinato - leia aqui o relatório da EFSA.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),
órgão ligado ao Ministério da Saúde, já alertou para os riscos do
glufosinato para a saúde humana quando a CTNBio aprovou o milho transgênico da
Bayer (maio de 2007) que usa o mesmo princípio ativo do
algodão agora liberado. Segundo a Agência, o herbicida não é seguro
para gestantes, lactantes e bebês recém-nascidos. Como tanto o
milho como o algodão da Bayer são resistentes ao glufosinato, há o
risco de grande aumento no uso desse herbicida e, com isso,
aparecimento de erva daninhas resistentes, além do aumento de
resíduo do veneno na comida - o óleo de algodão é usado em diversos
produtos industrializados.
Confira aqui as muitas evidências
científicas que apontam os riscos da tecnologia usada no milho
transgênico da Bayer - que valem também para o algodão da empresa
agora liberado pela CTNBio.
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