Dirigível do Greenpeace sobrevoou as obras da usina nuclear Olkiluoto 3, na Finlândia, para expôr ao público os muitos problemas de segurança e financeiros do projeto.
Vinte ativistas do Greenpeace interromperam na manhã desta
terça-feira o reinício das obras do Reator Pressurizado Europeu
(EPR, na sigla em inglês), em Flamanville, bloqueando a entrada de
três minas que fornecem areia e cascalho para a construção. A ação
foi realizada porque nenhum dos problemas de segurança que obrigaram a paralisação da obra em maio
foram resolvidos pelos responsáveis pelo projeto.
Os ativistas do Greenpeace usaram correntes, cadeados e barris
para bloquear a entrada das minas em Montegourg, Lieusaint e
Doville, na Normandia, e abriu faixas denunciando a usina de
Flamanville como grande farsa. O EPR francês, que promete ser mais
seguro, confiável e barato que os reatores construídos antes, tem
enfrentando uma série de problemas de segurança e aumento dos
custos. No dia 21 de maio, a Agência de Segurança Nuclear Francesa
ordenou a interrupção na construção de Flamanville 3 após a
descoberta de problemas crônicos afetando a qualidade da obra desde
que o projeto foi iniciado em dezembro de 2007.
"Não concordamos com a retomada das obras, principalmente devido
à qualidade do concreto usado nas fundações do reator, que foi
questionada pela Agência de Segurança Nuclear. Também queremos
denunciar a farsa que a Areva e a Electricité de France (EDF) estão
promovendo. O cronograma e o orçamento que a Areva e a EDF
apresentaram são completamente irreais", afirma Yannick Rousselet,
da campanha de Nuclear do Greenpeace França.
Apesar de não ter conseguido resolver os problemas da obra, a
EDF foi autorizada no dia 19 de junho a retomar as obras.
"A Agência de Segurança Nuclear, que ao ordenar a paralisação
das obras do reator provou ser séria em seu papel de garantir a
segurança, não deveria ter autorizado a retomada dos trabalhos em
tais condições", diz Rousselet.
O que está acontecendo na França e na Finlândia, dois países
europeus com parques nucleares consolidados, mostra que a indústria
nuclear não superou os problemas de custos e segurança que são sua
marca registrada há 60 anos", disse Rebeca Lerer, da campanha de
energia do Greenpeace no Brasil.
"Imagine agora se o governo brasileiro, que quer licenciar Angra
3 e cogita construir outras 4 usinas nucleares em território
nacional, terá capacidade de garantir prazos, custos e seguros da
indústria nuclear nacional como promovem seus porta-vozes. O setor
nuclear brasileiro é obsoleto e defasado, ancorado em idéias e
projetos da década de 1970. É simplesmente inacreditável que o
governo Lula invista bilhões para ressuscitar esse pacote de
problemas. O Brasil não precisa de Angra 3."
Para o Greenpeace, investir recursos públicos em energia nuclear
é transformar o dinheiro do cidadão em lixo radioativo, além de
desviar o foco das reais soluções para a crise ambiental que o
mundo atravessa. O Brasil pode alcançar sua segurança energética
estruturando uma matriz em torno de energias renováveis como
eólica, solar, co-geração de biomassa e, especialmente, um programa
agressivo de economia de energia.
DIRIGÍVEL ANTI-NUCLEAR
Um dirigível do Greenpeace preto e amarelo, de 44 metros de
comprimento e com uma mensagem em francês - "Non, Merci!" (não,
obrigado) -, sobrevoou nesta terça-feira as obras de construção da
usina de Olkiluoto, na Finlândia, para expôr ao público a baixa
segurança nuclear e os defeitos do projeto, além do fracasso
econômico do reator EPR - semelhante ao de Flamanville, em
construção na França.
O Greenpeace está compilando evidências dos problemas de
segurança, complicações técnicas, atrasos nas obras e estouros de
orçamento dos projetos EPR na Finlândia e na França para alertar
outros países sobre os grandes riscos de se investir nesse tipo de
reator nuclear.
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