Em nome da segurança, obras de usina nuclear francesa são bloqueadas

Notícia - 23 - jun - 2008
Enquanto ativistas protestavam em Flamanville, dirigível anti-nuclear do Greenpeace sobrevoava EPR de Olkiluoto, na Finlândia.

Dirigível do Greenpeace sobrevoou as obras da usina nuclear Olkiluoto 3, na Finlândia, para expôr ao público os muitos problemas de segurança e financeiros do projeto.

Vinte ativistas do Greenpeace interromperam na manhã desta terça-feira o reinício das obras do Reator Pressurizado Europeu (EPR, na sigla em inglês), em Flamanville, bloqueando a entrada de três minas que fornecem areia e cascalho para a construção. A ação foi realizada porque nenhum dos problemas de segurança que obrigaram a paralisação da obra em maio foram resolvidos pelos responsáveis pelo projeto.

Os ativistas do Greenpeace usaram correntes, cadeados e barris para bloquear a entrada das minas em Montegourg, Lieusaint e Doville, na Normandia, e abriu faixas denunciando a usina de Flamanville como grande farsa. O EPR francês, que promete ser mais seguro, confiável e barato que os reatores construídos antes, tem enfrentando uma série de problemas de segurança e aumento dos custos. No dia 21 de maio, a Agência de Segurança Nuclear Francesa ordenou a interrupção na construção de Flamanville 3 após a descoberta de problemas crônicos afetando a qualidade da obra desde que o projeto foi iniciado em dezembro de 2007.

"Não concordamos com a retomada das obras, principalmente devido à qualidade do concreto usado nas fundações do reator, que foi questionada pela Agência de Segurança Nuclear. Também queremos denunciar a farsa que a Areva e a Electricité de France (EDF) estão promovendo. O cronograma e o orçamento que a Areva e a EDF apresentaram são completamente irreais", afirma Yannick Rousselet, da campanha de Nuclear do Greenpeace França.

Apesar de não ter conseguido resolver os problemas da obra, a EDF foi autorizada no dia 19 de junho a retomar as obras.

"A Agência de Segurança Nuclear, que ao ordenar a paralisação das obras do reator provou ser séria em seu papel de garantir a segurança, não deveria ter autorizado a retomada dos trabalhos em tais condições", diz Rousselet.

O que está acontecendo na França e na Finlândia, dois países europeus com parques nucleares consolidados, mostra que a indústria nuclear não superou os problemas de custos e segurança que são sua marca registrada há 60 anos", disse Rebeca Lerer, da campanha de energia do Greenpeace no Brasil.

"Imagine agora se o governo brasileiro, que quer licenciar Angra 3 e cogita construir outras 4 usinas nucleares em território nacional, terá capacidade de garantir prazos, custos e seguros da indústria nuclear nacional como promovem seus porta-vozes. O setor nuclear brasileiro é obsoleto e defasado, ancorado em idéias e projetos da década de 1970. É simplesmente inacreditável que o governo Lula invista bilhões para ressuscitar esse pacote de problemas. O Brasil não precisa de Angra 3."

Para o Greenpeace, investir recursos públicos em energia nuclear é transformar o dinheiro do cidadão em lixo radioativo, além de desviar o foco das reais soluções para a crise ambiental que o mundo atravessa. O Brasil pode alcançar sua segurança energética estruturando uma matriz em torno de energias renováveis como eólica, solar, co-geração de biomassa e, especialmente, um programa agressivo de economia de energia.

DIRIGÍVEL ANTI-NUCLEAR

Um dirigível do Greenpeace preto e amarelo, de 44 metros de comprimento e com uma mensagem em francês - "Non, Merci!" (não, obrigado) -, sobrevoou nesta terça-feira as obras de construção da usina de Olkiluoto, na Finlândia, para expôr ao público a baixa segurança nuclear e os defeitos do projeto, além do fracasso econômico do reator EPR - semelhante ao de Flamanville, em construção na França.

O Greenpeace está compilando evidências dos problemas de segurança, complicações técnicas, atrasos nas obras e estouros de orçamento dos projetos EPR na Finlândia e na França para alertar outros países sobre os grandes riscos de se investir nesse tipo de reator nuclear.

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