Num discurso em que falou a maior parte do tempo sobre a
ex-ministra Marina Silva, o presidente Lula deu posse nesta
terça-feira ao novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc,
garantindo que a política ambiental brasileira não mudou com a
troca. Segundo Lula, a substituição é similar à feita na Copa do
Mundo de 1962, quando Pelé saiu da Seleção Brasileira e deu lugar a
Amarildo, um jogador de menor expressão mas que ajudou o time a
conquistar o título.
Lula garantiu ainda que não existe uma política do Ministério do
Meio Ambiente mais sim do governo Lula, que é compartilhada por
todos os ministérios. Além disso, reafirmou os compromissos
ambientais assumidos nas campanhas presidenciais em 2002 e 2006.
Mas o discurso de Lula não bate com a realidade. Em seu programa de
governo, antes das eleições, Lula dizia que não iria liberar os
transgênicos, que era contra a energia nuclear, contra a
transposição do rio São Francisco e que teria uma política
agressiva de proteção à Amazônia. O que aconteceu foi justamente o
oposto.
Ao aproveitar a solenidade para responder às questões levantadas
pela imprensa sobre a saída de Marina Silva, Lula perdeu uma grande
oportunidade de falar sobre os planos futuros do Ministério do Meio
ambiente, na gestão Carlos Minc. O novo ministro não discursou,
assim como Marina. Toda a cúpula do governo - Dilma Roussef (Casa
Civil), Celso Amorim (Relações Exteriores), José Alencar
(vice-presidente) estava presente à cerimônia.
"O novo Ministro Carlos Minc vai ter um enorme desafio pela
frente, tentando transformar o seu decálogo e as falas do
presidente Lula em realidade. O que vemos agora é um governo que vê
a questão ambiental não como uma oportunidade para o país crescer
sustentavelmente, mas sim como uma pedra no sapato", afirmou
Marcelo Furtado, diretor de Campanhas do Greenpeace, que esteve
presente à posse de Minc.
"Queremos que as coisas dêem certo mas se o governo não cumprir
seu papel, cumpriremos o nosso de propor alternativas e denunciar a
ausência de governo e de uma gestão ambiental para o Brasil."
Um dia antes da posse, o novo ministro do Meio Ambiente foi
convidado pelo Greenpeace, durante atividade realizada em Brasília, a
participar da reunião da Comissão Internacional Baleeira (CIB) no
Chile para ajudar na criação do Santuário de Baleias do Atlântico
Sul.
Minc vai participar esta semana da Convenção da ONU sobre biodiversidade, que
acontece na Alemanha, e o Greenpeace espera que o ministro
mantenha o compromisso assumido pelo governo brasileiro na última
reunião da CDB em Curitiba, em 2006, de proteger as florestas e a
biodiversidade do país.
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