Energia nuclear e captura de carbono, as 'bolas fora' do relatório da AIE

Notícia - 5 - jun - 2008
Greenpeace rejeita apoio da Agência Internacional de Energia a tecnologias que não contribuem no combate às mudanças climáticas.

Ativista do Greenpeace instala turbina eólica próximo a uma usina nuclear. Apesar de termos inúmeras opções mais baratas, limpas e seguras, ainda há países que insistem em gastar bilhões em reatores atômicos.

O novo relatório Perspectivas de Tecnologias Energéticas 2008,publicado nesta sexta-feira pela Agência Internacional de Energia(AIE), vai do céu ao inferno em poucas linhas. Se por um lado reconheceas fontes renováveis podem suprir metade da energia mundial até 2050,por outro insiste em apostar numa expansão da energia nuclear e na vagatecnologia de captura e armazenamento de carbono para atingir metas deredução de emissões de gases do efeito estufa. Uma distração cara eperigosa, por afastar as discussões da reais soluções para o problemaclimático.

O lançamento do documento da AIE acontece às vésperas da reunião deministros de Energia dos países do G8, que acontece em Aomori, no Japão.

Para contrapor a visão da AIE sobre o futuro energético do planeta, oGreenpeace também lançou um relatório: [R]evolução Energética: Panoramade um Japão Energeticamente Sustentável (sumário executivo para baixarem pdf, com texto em inglês).

Elaborado em parceria com o Instituto Japonês para Políticas de EnergiaSustentável (ISEP, na sigla em inglês), o estudo mostra como acombinação entre tecnologias de energia renovável e programas deeficiência energética pode providenciar uma segurança energética com ummínimo impacto no clima. O relatório revela ainda como o Japão poderiaconquistar sua independência do mercado de combustíveis fósseis e suasflutuações bem como dos perigos da energia nuclear, que corresponde acerca de 30% da geração de energia elétrica do país.

"A combinação de fontes renováveis de energia e programas de eficiênciaenergética é o meio mais inteligente, seguro e barato para se combateras mudanças climáticas e melhorar a segurança energética de um país. Ocenário energético do relatório do Greenpeace bate com o documento daAIE sobre o potencial da energia renovável, mas deixa claro que aenergia nuclear e o armazenamento de carbono não são necessários e sóatrapalham, porque desviam recursos das soluções genuínas paraenfrentar a crise climática", afirma Sven Teske, especialista emenergia do Greenpeace Internacional e co-autor do estudo.

De acordo com o cenário elaborado pelo Greenpeace, o Japão pode gerarmais de 60% de sua eletricidade de fontes renováveis até 2050, tornandoo país menos dependente da importação de combustíveis fósseis egarantindo eletricidade mais barata para a população. O relatório doGreenpeace também convoca o governo japonês a abraçar uma alternativade baixa emissão de carbono para o desenvolvimento de seu setor deenergia.

"Todos os setores da sociedade devem agir para evitar o agravamento doaquecimento global. A prioridade dos governos deve ser a de mudar apolítica energética", afirma Manami Suzuki, especialista em energia doGreenpeace Japão. "O Greenpeace exige que os ministros de energiareunidos no encontro do G8 invistam seu tempo em decidir como alcançarum futuro limpo e renovável."

Para Marcelo Furtado, diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil, está mais do que na hora dos países do G8 agirem.

"Não adianta os países do G8 ficarem se reunindo e discutindo os mesmostemas sem se comprometerem com ações concretas e metas, como financiaro combate global às mudanças climáticas e reduzir suas emissões até2020 em até 40% sobre os limites de 1990."

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