Cidadãos e governos de todo o mundo têm pressionado cada vez
mais o Japão, pedindo para que o país desista de suas atividades
baleeiras no santuário de baleias no Oceano Antártico. Mas começam
a apartecer sinais de que os japoneses planejam construir num novo
navio-fábrica com o qual poderão estender a caça de baleias por
décadas.
A idéia é substituir o Nisshin Maru, que tem 20 anos e
pegou fogo no início deste ano, ficando seriamente avariado,
tendo que ser rebocado de volta ao porto no Japão. Ele está de
volta ao mar este ano depois de passar por uma grande reforma.
Segundo o jornal Suisan Keizai, da indústria pesqueira japonesa,
"o Nisshin Maru está ficando velho e sua capacidade para armazenar
carne de baleia não é suficiente para atender a demanda exigida
pela recente expansão da atividade de pesquisa baleeira. Há algumas
vozes pedindo um novo navio-fábrica. O atual, Nisshin Maru, pegou
fogo não apenas este ano, mas também uma vez no passado. E nos dois
casos, as causas do incêndio ainda não foram identificadas..."
As tais 'vozes' que pedem por um novo navio são as únicas
beneficiárias do programa de caça às baleias do Japão: um punhado
de burocratas que estão gastando dinheiro público para
prosseguir com um programa de pesquisa que não gera ciência
útil e carne de baleia que fica estocada sem mercado de
venda.
A Agência Pesqueira Japonesa tem silenciado sobre os relatórios
sobre os bilhões de iens de dinheiro público japonês gastos no novo
navio-fábrica baleeiro. Recente pesquisas de opinião pública no
Japão revelam uma queda no consumo de carne de baleia entre os
jovens japoneses. A Agência e o punhado de burocratas que se
beneficiam da caça às baleias sem dúvida apostam que os planos de
se construir a nova embarcação permaneçam escondidos até que seja
tarde demais para interrompê-los.
Clique aqui e assista aos vídeos do nosso projeto A Trilha das
Grandes Baleias para entender porque somos contra a caça promovida
pelo Japão.
Como é esse novo navio-fábrica baleeiro?
Se os baleeiros japoneses querem um navio-fábrica que possa
armazenar toda a carne de baleias obtida no atual programa de
pesquisa (intitulado Jarpa II), ele precisa ser capaz de estocar
até 6 mil toneladas de carne. O atual navio, o Nisshin Maru, tem a
capacidade de armazenar cerca de 2 mil toneladas. Isso revela que o
novo navio-fábrica terá que ser pelo menos três vezes maior do que
o atual.
O Nisshin Maru custou 7 bilhões de iens (cerca de US$ 63
milhões) 20 anos atrás. O novo navio deve então custar entre 14 e
21 bilhões de iens (entre US$ 125 milhões e US$ 188 milhões).
Quem financia a construção?
O financiamento privado do novo navio é improvável já que nenhum
banco ou instituição financeira privada emprestaria dinheiro para a
caça às baleias devido à queda no consumo de carne de baleia no
Japão e ao risco existente para sua reputação internacional.
Por isso, é mais provável que a nova embarcação seja financiada
com dinheiro público de instituições do governo japonês,
principalmente a Fundação para a Cooperação de Pesca em
Alto-mar.
Em março de 2007, a Fundação mudou suas regras para dar
empréstimos, informando que assim o fará para proposta que se
encaixem na categoria de "cooperação em esforços internacionais
para o manejo de recursos pesqueiros". As novas regras contêm a
frase que claramente sugere sua intenção de providenciar empréstimo
para as atividades baleeiras:
"Cooperação em esforços internacionais para o manejo de recursos
pesqueiros se aplica a propostas que contribuem para a pesquisa e
estudo do manejo de espécies de peixes, incluindo mamíferos
marinhos..."
Sem surpresa, o presidente da Fundação é Michio Shimada,
ex-diretor geral da Agência Pesqueira Japonesa, que gerencia as
operações baleeiras do país. A Agência Pesqueira Japonesa também
deu cerca de 1,2 bilhão de iens (ou US$ 10,5 milhões) em subsídios
anuais para a Fundação.
Se a Fundação está emprestando dinheiro para a construção de um
novo navio-fábrica baleeiro, então o dinheiro de impostos do Japão
será usado para financiar o empreendimento.
Quem está construindo o navio?
O Greenpeace fez uma pesquisa em 23 estaleiros no Japão,
perguntando se eles aceitariam uma oferta para construir o
navio-fábrica. A única empresa entre os principais estaleiros que
não deu uma resposta negativa definitiva foi a Mitsubishi Heavy
Industry LTD.
Saiba mais
:
Ao contrário do que dizem os japoneses, é possível estudar as
baleias sem disparar um único arpão. Confira detalhes do projeto A
Trilha das Grandes Baleias.
Estamos na cola da frota baleeira japonesa para impedir a matança
de baleias na Antártica. Confira no Blog de Oceanos.