Uma caixa da carne de baleia ilegalmente retirada pela
tripulação do Nisshin Maru, navio-fábrica da frota baleeira
japonesa que participou da caça às baleias no início deste ano na
Antártica, foi mostrada nesta quinta-feira por ativistas do
Greenpeace em Tóquio como evidência de que o governo japonês tem
acobertado uma falsa pesquisa científica no Oceano
Antártico.
O Greenpeace agora exige uma avaliação pública para se saber o
nível de corrupção no programa baleeiro japonês. Além disso, a
organização ambientalista quer o fim do subsídio governamental ao
programa e também da licença de operação para a empresa que promove
a caça de baleias.
A investigação de quatro meses promovida pelo Greenpeace revelou
evidências de que a tripulação do Nisshin Maru contrabandeia caixas
com carne de baleia, disfarçadas de 'bagagem pessoal', e as repassa
para comerciantes, que as vendem ilegalmente no mercado
japonês.
Segundo pesquisas de opinião, a maioria da população japonesa é
contra a caça de baleias - veja aqui.
Informantes do Greenpeace afirmam que membros da empresa Kyodo
Senpaku e do Instituto de Pesquisa Cetácea fazem 'vista grossa'
para esse contrabando, permitindo a irregularidade.
Confira o vídeo da denúncia:
"A informação que juntamos indica que o escândalo é enorme,
seria impossível para a empresa Kyodo Senpaku e o Instituto de
Pesquisa Cetácea do Japão desconhecer o que se passa ali", afirma
Junichi Sato, coordenador da campanha de Baleias do Greenpeace
Japão.
"Eles estão virando as costas para a corrupção e o roubo de
impostos pagos pelos contribuintes japoneses. O que precisamos
saber agora é quem mais está lucrando com esse programa baleeiro do
Japão. Quem mais permitiu essa fraude?", afirma Sato.
Trabalhando com a informação fornecida por ex e atuais
empregados da Kyodo Senpaku, o Greenpeace documentou o desembarque
do contrabando de carne de baleia para um caminhão especial, em
frente a representantes oficiais da empresa e da tripulação do
Nisshin Maru, quando o navio-fábrica aportou em 15 de abril deste
ano. Uma das caixas endereçadas a uma residência particular
em Tóquio foi interceptada pelo Greenpeace para se verificar o
conteúdo dela e configurar a fraude.
Segundo a inscrição feita na caixa, ela conteria 'cartolina' mas
na verdade escondia 23,5 quilos de carne de baleia salgada,
avaliada em US$ 3 mil. Um informante do Greenpeace afirmou que
muitos tripulantes do Nisshin Maru retiram cerca de 20 caixas cada
da embarcação. Investigação posterior em bares e restaurantes em
diferentes partes do Japão confirmou que eles estavam esperando a
entrega de carne de baleia da caçada realizada este ano na
Antártica, apesar da Agência Pesqueira Japonesa e o Instituto de
Pesquisa Cetácea afirmarem que só vão liberar carne de baleia para
venda no final de junho deste ano.
Ainda segundo os informantes, toneladas de carne de baleias
foram jogadas fora do Nisshin Maru porque não houve capacidade de
processar todos os animais caçados na Antártica. Além disso,
tumores cancerígenos foram retirados de diversas baleias e o
restante da carne processada para a venda ao público. Há a acusação
também de que a caçada na Antártica tinha como objetivo capturar o
máximo de baleias possível, e não 'amostras aleatórias', como
exigido pelas permissões para pesquisa.
O dossiê sobre o escândalo pode ser acessado aqui (texto em inglês e japonês).
O Greenpeace acompanhou a caçada realizada pela frota japonesa
na Antártica no início deste ano e a perseguição empreendida pelo
navio Esperanza conseguiu interromper a matança por mais de duas
semanas. O navio-fábrica Nisshin Maru retornou ao Japão em
abril com metade do total de baleias planejado inicialmente.
"A investigação prova publicamente que a caça científica
promovida pelo Japão é uma falácia", afirma Leandra Gonçalves,
coordenadora da campanha de Baleias do Greenpeace Brasil que
participou da expedição do Esperanza na Antártica contra a
caça.
Conheça o blog da Leandra.
Nenhuma baleia fin, espécie ameaçada de extinção, foi caçada
porque os baleeiros não conseguiram encontrar um único exemplar -
desmentindo as alegações de que a população desse animal havia
aumentado nos últimos anos.
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Baleias do Atlântico Sul.
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