Notícia - 7 - jan - 2010
A Areva, estatal francesa, prometeu descontaminar os 11 pontos indicados pelo Greenpeace; empresa é parceira do governo brasileiro na construção de Angra 3
Greenpeace Rianne Teule mede os níveis de radiação nas ruas de Akokán, cidade próxima a duas minas de urânio de propriedade da empresa francesa Areva. Rianne é parte da equipe do Greenpeace que pesquisou a área e encontrou níveis perigosos de radiação. A Areva havia declarado a segurança de radiação nas ruas.© Greenpeace / Philip Reynaers
A Areva finalmente reconheceu as denúncias do Greenpeace sobre o uso de pedras que sobram da mineração de urânio no calçamento das ruas de Akokan, cidade do país africano Níger.
O trabalho da Areva já começou. "Ficamos felizes que as ruas de Akokan já estejam sido parcialmente descontaminadas, mas continuamos muito preocupados com outros problemas que não podem ser resolvidos sem pesquisas mais detalhadas", diz Rianne Teule, do Greenpeace Internacional.
Areva no Brasil - É nas mãos dessa empresa que o governo brasileiro planeja colocar parte do programa nuclear. Representantes da Areva estiveram na mina de urânio de
Caetité (BA) em dezembro para avaliar o potencial de exploração do minério no Brasil.
"Por trás das negociações do governo brasileiro com a Areva estão os interesses franceses de criar uma dependência tecnológica e comercial, já que o país será provedor de assistência técnica para o programa nuclear brasileiro", diz André Amaral, coordenador da campanha de nuclear do Greenpeace, "Essa é parte da estratégia daquele país para superar a crise que sua indústria nuclear vem sofrendo, criando dependência e assim garantindo mercado"
Em março do ano passado, o Greenpeace lançou o relatório
"Fracassos Nucleares Franceses", que resume as principais conclusões de pesquisa realizada pela Global Chance - organização francesa sem fins lucrativos que reúne cientistas em energia inclusive os problemas que levaram a estatal Areva, braço industrial da política nuclear francesa, a fechar o ano de 2008 com uma queda de 20% em seu lucro líquido.
Exemplos concretos dessa decadência são as dificuldades enfrentadas nos projetos de construção de European Pressurized Reactores (EPRs), reatores de quarta geração desenvolvidos e promovidos pela Areva ao redor do mundo, inclusive no Brasil.