governo indiano finalmente concordou em
permitir que a Justiça dos Estados Unidos processe a empresa
norte-americana de agrotóxicos Dow Química, exigindo que ela limpe
a área contaminada pelo desastre de Bhopal, na Índia. A greve de
fome de três ativistas associada ao intenso lobby do Greenpeace, de
grupos locais e de milhares de ciberativistas ajudaram a alterar o
cenário político indiano.
"Esta declaração aponta para que seja cumprida uma ordem
histórica dirigida à Union Carbide (que atualmente pertence à Dow
Química) para eliminar a contaminação tóxica dentro e ao redor da
área em Bhopal", disse Satinath Sarangi, um dos ativistas locais
que fizeram greve de fome. A Dow Química, que comprou a Union
Carbide em 2001, recusa-se a aceitar a responsabilidade pela
catástrofe, a recompensar completamente as vítimas ou a limpar o
local da indústria, que ainda está contaminado com produtos
químicos perigosos. "A determinação não irá apenas defender os
princípios de indenização financeira por danos ambientais, mas
poderá exigir que as empresas multinacionais se responsabilizem por
suas ações fora do seu país de origem", complementa.
"Nós esperamos que o primeiro-ministro que interveio a nosso
favor nesta luta mostre a mesma sensibilidade para lidar com os
assuntos pendentes em Bhopal e faça com que a nova dona da Union
Carbide, a Dow Química, se responsabilize pelas pendências do
acidente em Bhopal", disse Rasheeda Bi, vencedora do Goldman
Environmental Prize 2004 (prêmio internacional para os melhores
ambientalistas do ano). Rasheeda também foi uma das ativistas que
entrou em greve de fome desde 18 de junho juntamente com Shahid
Noor, que ficou órfão devido ao vazamento de gás em 1984.
O pior desastre químico da
história
Na madrugada de 2 de dezembro de 1984, 40 toneladas de gases
letais vazaram da fábrica de agrotóxicos da Union Carbide
Corporation. Este foi o maior desastre químico da história. Gases
tóxicos como o isocianato de metila e o hidrocianeto escaparam de
um tanque da empresa durante operações de rotina. Os precários
dispositivos de segurança que deveriam evitar desastres como esse
apresentavam problemas ou estavam desligados.
Estima-se que três dias após o desastre 8 mil pessoas morreram
devido à exposição direta aos gases. A Union Carbide negou-se a
fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos produtos, e,
como conseqüência, os médicos não tiveram condições de tratar
adequadamente os indivíduos expostos. Até hoje os sobreviventes do
desastre e as agências de saúde da Índia ainda não conseguiram
obter da Union Carbide e da Dow Química informações sobre a
composição dos gases que vazaram e seus efeitos sobre a saúde
humana.
A empresa abandonou a área após o acidente sem se
responsabilizar pelas mortes. Além disso, deixou para trás uma
grande quantidade produtos químicos tóxicos perigosos. Hoje, mais
de 150 mil sobreviventes com doenças crônicas ainda necessitam de
cuidados médicos e uma segunda geração de crianças continua a
sofrer os efeitos da herança tóxica deixada pela indústria.
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