EUA podem processar Dow Química por pior desastre químico da história

Notícia - 22 - jun - 2004
População da Índia exige que a empresa limpe a área contaminada durante o acidente em Bhopal, que resultou na morte de 8 mil
governo indiano finalmente concordou em permitir que a Justiça dos Estados Unidos processe a empresa norte-americana de agrotóxicos Dow Química, exigindo que ela limpe a área contaminada pelo desastre de Bhopal, na Índia. A greve de fome de três ativistas associada ao intenso lobby do Greenpeace, de grupos locais e de milhares de ciberativistas ajudaram a alterar o cenário político indiano.

"Esta declaração aponta para que seja cumprida uma ordem histórica dirigida à Union Carbide (que atualmente pertence à Dow Química) para eliminar a contaminação tóxica dentro e ao redor da área em Bhopal", disse Satinath Sarangi, um dos ativistas locais que fizeram greve de fome. A Dow Química, que comprou a Union Carbide em 2001, recusa-se a aceitar a responsabilidade pela catástrofe, a recompensar completamente as vítimas ou a limpar o local da indústria, que ainda está contaminado com produtos químicos perigosos. "A determinação não irá apenas defender os princípios de indenização financeira por danos ambientais, mas poderá exigir que as empresas multinacionais se responsabilizem por suas ações fora do seu país de origem", complementa.

"Nós esperamos que o primeiro-ministro que interveio a nosso favor nesta luta mostre a mesma sensibilidade para lidar com os assuntos pendentes em Bhopal e faça com que a nova dona da Union Carbide, a Dow Química, se responsabilize pelas pendências do acidente em Bhopal", disse Rasheeda Bi, vencedora do Goldman Environmental Prize 2004 (prêmio internacional para os melhores ambientalistas do ano). Rasheeda também foi uma das ativistas que entrou em greve de fome desde 18 de junho juntamente com Shahid Noor, que ficou órfão devido ao vazamento de gás em 1984.

O pior desastre químico da história

Na madrugada de 2 de dezembro de 1984, 40 toneladas de gases letais vazaram da fábrica de agrotóxicos da Union Carbide Corporation. Este foi o maior desastre químico da história. Gases tóxicos como o isocianato de metila e o hidrocianeto escaparam de um tanque da empresa durante operações de rotina. Os precários dispositivos de segurança que deveriam evitar desastres como esse apresentavam problemas ou estavam desligados.

Estima-se que três dias após o desastre 8 mil pessoas morreram devido à exposição direta aos gases. A Union Carbide negou-se a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos produtos, e, como conseqüência, os médicos não tiveram condições de tratar adequadamente os indivíduos expostos. Até hoje os sobreviventes do desastre e as agências de saúde da Índia ainda não conseguiram obter da Union Carbide e da Dow Química informações sobre a composição dos gases que vazaram e seus efeitos sobre a saúde humana.

A empresa abandonou a área após o acidente sem se responsabilizar pelas mortes. Além disso, deixou para trás uma grande quantidade produtos químicos tóxicos perigosos. Hoje, mais de 150 mil sobreviventes com doenças crônicas ainda necessitam de cuidados médicos e uma segunda geração de crianças continua a sofrer os efeitos da herança tóxica deixada pela indústria.



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