Faixa estendida nas históricas ruínas de Machu Pichu alertam para o perigo de se criar um grave problema para as florestas tropicais da América Latina para resolver as emissões de CO2 da União Européia com a produção de biocombustíveis.
Um dia antes do início da 5a. Cúpula de presidentes da América
Latina, Caribe e União Européia, que começou nesta sexta-feira em
Machu Pichu, no Peru, o Greenpeace denunciou o perigo da produção
de biocombustíveis em larga escala para a região e pediu que os
governos adotem critérios de sustentabilidade para a atividade.
Uma grande faixa foi estendida nas ruínas da cidade histórica
peruana afirmando: "Perigo: biocombustíveis. Salvemos as florestas
para salvar o clima", numa clara alusão ao impacto dos
biocombustíveis sobre as florestas da América Latina e ao aumento
dos preços dos alimentos.
"A produção de biocombustíveis está sendo impulsionada pelos
governos dos países industrializados como uma solução 'rápida' para
o problema das emissões de gases do efeito estufa, mas estão apenas
criando mais problemas do soluções. Se o que querem é proteger o
clima, precisamos proteger as florestas primárias que sobraram",
afirmou Maria Eugenia Testa, do Greenpeace Argentina.
Apesar das advertências científicas e denúncias feitas por
entidades internacionais sobre a ameaça que os biocombustíveis
representam às florestas e para a segurança alimentar das pessoas,
muitos governos da União Européia e da América Latina continuam
promovendo a produção em grande escala do produto.
"Os produtores de biocombustíveis estão colocando em perigo a
subsistência das populações mais pobres do mundo ao influenciar os
preços dos alimentos", denunciou Testa.
"Por outro lado, a extensão de cultivos de milho, soja ou
cana-de-açúcar influenciam também nas terras agrícolas disponíveis,
provocando destruição - direta e indiretamente - de ecossistemas
naturais, como as florestas tropicais", afirmou.
A regulamentação européia estipula que os combustíveis usados no
transporte deverão ter 5,75% de biocombustíveis até 2010 e 20% até
2020.
"A Europa estabeleceu um número que excede sua capacidade de
produção e por isso incentiva os países latino-americanos a se
tornarem provedores de biocombustíveis no mercado internacional,
colocando em risco seu patrimônio natural", criticou Juan Carlos
Villalonga, diretor político do Greenpeace Argentina. "Por isso é
imprenscindível hoje que os presidentes reunidos nesta cúpula
presidencial em Machu Pichu reconheçam e estabeleçam critérios
comuns de sustentabilidade para a produção de biocombustível."
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