Líder histórico da reserva extrativista Verde Para Sempre, Idalino Nunes de Assis, Participa de protesto junto a ativistas do Greenpeace.
Ativistas do Greenpeace e lideranças comunitárias de Porto de
Moz, no Pará, inflaram hoje um boi de seis metros de altura em uma
área desmatada ilegalmente por fazendeiros de gado dentro da
reserva extrativista Verde Para Sempre. A atividade é um protesto
contra a falta de implementação da resex, criada há quatro anos
pelo presidente Luiz Inacio Lula da Silva. A falta de ação do
governo e o avanço da pecuária sobre a floresta estão entre as
principais causas do desmatamento na Amazônia, maior fonte de
emissões brasileiras de gases que provocam o aquecimento
global.
Durante reunião realizada neste final de semana, lideranças
comunitárias relataram diversos problemas sociais e ambientais
relacionados com o fato da resex só existir no papel: o
levantamento sócio-econômico realizado em 2006 para subsidiar o
plano de manejo comunitário da unidade sequer foi divulgado. Não há
placas de sinalização indicando os limites da reserva. A
regularização fundiária não avançou. Os créditos do Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) prometidos pelo
presidente do órgão em 2005 nunca chegaram. A sede da reserva em
Porto de Moz não foi instalada, apesar de uma casa da Marinha ter
sido disponibilizada para isso. Para completar, a exploração
madeireira persiste, as invasões de barcos pesqueiros são
constantes e funcionários do Instituto Chico Mendes raramente
visitam a unidade de conservação.
Veja as fotos do protesto:
"Faltou uma grande responsabilidade e essa responsabilidade do
governo tem que ser retomada. E com respeito. Por que quem mora
aqui é gente e merece respeito. É o apelo que eu faço para todas as
autoridades, pois o descaso aqui é muito grande", disse Raimundo
Ribeiro da Silva, presidente da Associação de Moradores da Reserva
Extrativista Verde Para Sempre. "Quando o presidente Lula venceu as
eleições, ele disse que a esperança havia vencido o medo. Aqui, o
medo é que está vencendo a esperança", concluiu.
A reserva já teve desmatados cerca de 30 mil hectares de sua
área total de 1,2 milhão de hectares. Nos últimos quatro anos, a
área perdeu 8.468 hectares de floresta. Em sobrevôo recente pela
região, o Greenpeace identificou novos desmatamentos dentro da
reserva, ainda não apontados pelo sistema Prodes, do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
"As unidades de conservação de uso sustentável, como a resex
Verde Para Sempre, deveriam ser uma alternativa aos modelos
predatórios de desenvolvimento da região amazônica. No entanto, sem
implementação, acabam se tornando alvo de atividades predatórias,
como a pecuária", disse André Muggiati, da campanha da Amazônia do
Greenpeace.
Entre 1990 e 2003, o rebanho bovino cresceu 240%, passando de
26,6 milhões para 64 milhões de cabeças de gado. Segundo estudo do
Imazon, os estados do Mato Grosso e Pará, juntos, concentram 60% do
rebanho bovino da Amazônia. Esta expansão vem acompanhada de
crescente pressão sobre a floresta, gerando mais desmatamentos e
perda acelerada da biodiversidade. Segundo dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1996 e 2006, a
área de pastagem aumentou em cerca de 10 milhões de hectares só na
Amazônia, o equivalente a uma área 100 vezes maior que a da cidade
de Paris.
Assista ao video:
Desmatamento Zero. É agora ou
agora.
O desmatamento das florestas tropicais responde por 20% das
emissões globais de gases do efeito estufa. No Brasil, essa conta é
ainda mais perversa: a destruição florestal e o mau uso do solo
representam 75% das emissões nacionais, colocando o país como o
quarto maior poluidor do clima global. Zerar o desmatamento da
Amazônia até 2015 é a principal contribuição que o Brasil pode dar
para salvar o planeta dos impactos das mudanças climáticas.
A atividade em Porto de Moz, no Pará, faz parte da expedição do
Greenpeace "Salvar o planeta: É agora ou agora" para alertar a
população brasileira sobre os problemas causados pelo aquecimento
global .
O navio do Greenpeace saiu de Manaus (AM) e segue agora para
Belém (PA), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Rio de
Janeiro (RJ) e Santos (SP) e, durante os finais de semana, estará
aberto à visitação pública. Os visitantes serão informados, de uma
forma lúdica e interativa, sobre os problemas causados pelas
mudanças climáticas. A entrada é gratuita. Confira as datas e o
roteiro do navio e acompanhe a
expedição.