Fantasma nuclear paira sobre reunião de Lula com Sarkozy na Guiana Francesa

Notícia - 11 - fev - 2008
Estatal francesa Areva é uma das grandes interessadas no encontro, de olho no fornecimento de equipamentos para Angra 3.

Material Radioativo.

Uma grande sombra nuclear paira sobre a reunião desta terça-feira, naGuiana Francesa, entre Lula e Sarkozy, presidente da França. Oencontro, que servirá para discutir interesses comuns e uma agenda decooperação entre os dois países, será acompanhado de perto pela estatalfrancesa Areva, maior geradora e distribuidora de energia nuclear nomundo atualmente. Ela está de olho na retomada do projeto nuclearbrasileiro e, consequentemente, na construção da usina Angra 3.

A estatal francesa herdou o contrato de fornecimento de equipamentospara a Angra 3, avaliado em cerca de R$ 2 bilhões. Em fevereiro de2007, uma delegação francesa composta por empresários e pela ministrade Comércio Exterior, Christine Lagarde,  visitou o complexo nuclear deAngra dos Reis (RJ). A presidente da Areva, Anne Lauvergeon, faziaparte da delegação. Quatro meses depois, o governo brasileiro aprovavaa retomada das obras de Angra 3.

É importante lembrar que o contrato herdado pela Areva foi firmado nostempos da ditadura militar no Brasil e é um documento sem validade.Essa e outras irregularidades no processo de retomada das obras deAngra 3 foram constatadas pelo jurista José Afonso da Silva, que elaborou um parecer e fizeram parte de representaçãoencaminhada pelo deputado federal Edson Duarte, com assessoria técnicado Greenpeace, ao Tribunal de Contas da União (TCU) em novembro passado.

Em função desta representação, o TCU intimou o ministro de Minas eEnergia, o presidente da Eletrobrás e o presidente da Eletronuclear aprestarem esclarecimentos.

"No momento em que o aquecimento global e a segurança energética estãono topo da agenda política internacional, o certo seria que os doispaíses discutissem o aprimoramento tecnológico para aproveitar asabundantes fontes energéticas renováveis do Brasil. É lamentável que acooperação entre Brasil e França passe pela transferência de umatecnologia ultrapassada e perigosa como a nuclear, com o desembolso debilhões de reais pelo governo brasileiro", afirmou a coordenadora dacampanha antinuclear do Greenpeace, Beatriz Carvalho.

"A chamada "renascença" propagada pela indústria nuclear ao redor domundo esconde grandes interesses comerciais e econômicos. Em termos degeração de energia, a opção nuclear é a mais cara do Brasil. Com apenas12% dos R$ 7,4 bilhões previstos para Angra 3 seria possível economizarquatro vezes a capacidade da usina, como comprovou o Procel - ProgramaNacional de Conservação de Energia Elétrica, que economizou 5.124 MWcom o investimento de R$ 850 milhões", diz Beatriz.

Saiba mais:

Relatório "Cortina de Fumaça - as emissões de gases do efeito estufa e outros impactos da energia nuclear"

Artigo do Greenpeace publicado na Folha de S. Paulo sobre a aventura nuclear brasileira

Finlândia admite: energia nuclear não é solução para o aquecimento global

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