Fechamos a CNEN por 8 horas para que o Brasil feche seu programa nuclear para sempre

Notícia - 12 - set - 2007
Acorrentados aos portões de entrada da sede da empresa, ativistas resistiram a ameaças de prisão e espirros de gás pimenta. Memorial às vítimas do acidente do césio-137, ocorrido há 20 anos em Goiânia, foi cimentado na calçada.

Ativistas estendem faixa em frente à CNEN.

Cerca de 20 ativistas fecharam nesta quinta-feira, por oito horas, as entradas da sede da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), no Rio de Janeiro, em protesto contra a insegurança nuclear no país. Eles se acorrentaram às grades dos portões do prédio e resistiram bravamente às ameaças de prisão feitas por polícias militares, que apelaram até para o gás de pimenta para retirá-los do local. Na calçada, um memorial foi erguido em frente a um dos portões para homenagear às vítimas do acidente do césio-137, ocorrido em Goiânia há 20 anos. A placa de metal chegou a ser derrubada pelos PMs, mas foi reerguida pelos ativistas e de pé ficou até o final do protesto, às 18 horas.

Os ativistas chegaram rapidamente à rua da sede da CNEN, em Botafogo (zona sul do Rio de Janeiro) por volta das 10 horas da manhã e bloquearam as três entradas do prédio, usando correntes, algemas e canos. Não houve confronto. Em seguida, o memorial de metal foi cimentado à calçada. Uma faixa da rua General Severiano foi bloqueada com cones.

Uma mensagem SMS (torpedo) foi enviada por telefone celular para oscolaboradores do Rio de Janeiro, convidando-os a ir ao local da açãopara prestar homenagem às vítimas do césio-137. Vários colaboradores compareceram e prestaram solidariedade aos ativistas. SimoneConforto, de 40 anos, foi um deles. "Acho muito importante poderparticipar de um ato como esse. Temos que resistir o quanto forpossível a desmandos como a possível construção de Angra 3", disse ela.

Confira abaixo o vídeo da ação:

Uma carta assinada por Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace, e Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de Energia, foi enviada ao presidente da CNEN, Odair Dias Gonçalves, com cópia para os ministros Marina Silva (Meio Ambiente) e Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia); o secretário estadual de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc; e presidente do Ibama, Bazileu Alves Margarido Neto, explicando os motivos do protesto desta quinta-feira em frente à sede da CNEN e reafirmando a posição do Greenpeace contra a retomada do programa nuclear brasileiro. O arquivo PDF da carta pode ser acessado no link ao final deste texto.

"A CNEN não ofereceu resposta alguma às demandas da sociedade civil emandou a PM carioca para lidar com uma situação que é de suaresponsabilidade. Nosso confronto é com o governo federal e seuprograma nuclear, não com os soldados da PM", afirmou Marcelo Furtado,diretor de campanhas do Greenpeace Brasil que esteve no local.

Manifestações foram realizadas ao longo da semana em Salvador e São Paulo, com ativistas vestidos de preto deitando no chão numa simulação de morte coletiva, em lembrança da tragédia ocorrida em Goiânia em 1987. Leia aqui  sobre os outros atos. Confira abaixo a galeria de fotos dos eventos realizados em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro:

"Com a tragédia do césio -137, o Brasil sentiu na pele os efeitos devastadores de um acidente nuclear. Passados 20 anos, pouca coisa mudou: o Estado não reconhece nem ampara todas as vítimas, não tem capacidade estrutural de lidar com as instalações nucleares já existentes e não resolveu definitivamente a questão do lixo radioativo", afirma Rebeca Lerer, da campanha anti-nuclear do Greenpeace. "Ainda assim, o governo do presidente Lula quer investir bilhões de reais de dinheiro público na construção da usina nuclear Angra 3 e no ciclo de enriquecimento de urânio, o que deve agravar os problemas de segurança já existentes. É simplesmente inaceitável. A sociedade brasileira deve se mobilizar para dar uma resposta à altura: não queremos a ameaça nuclear".

Para saber um pouco mais sobre a história do acidente e participar da cyberação contra a retomada do programa nuclear brasileiro (e a conseqüente construção da usina de Angra 3), clique aqui.

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