Ativistas estendem faixa em frente à CNEN.
Cerca de 20 ativistas fecharam nesta quinta-feira, por oito
horas, as entradas da sede da Comissão Nacional de Energia Nuclear
(CNEN), no Rio de Janeiro, em protesto contra a insegurança nuclear
no país. Eles se acorrentaram às grades dos portões do prédio e
resistiram bravamente às ameaças de prisão feitas por polícias
militares, que apelaram até para o gás de pimenta para retirá-los
do local. Na calçada, um memorial foi erguido em frente a um dos
portões para homenagear às vítimas do acidente do césio-137,
ocorrido em Goiânia há 20 anos. A placa de metal chegou a ser
derrubada pelos PMs, mas foi reerguida pelos ativistas e de pé
ficou até o final do protesto, às 18 horas.
Os ativistas chegaram rapidamente à rua da sede da CNEN, em
Botafogo (zona sul do Rio de Janeiro) por volta das 10 horas da
manhã e bloquearam as três entradas do prédio, usando correntes,
algemas e canos. Não houve confronto. Em seguida, o memorial de
metal foi cimentado à calçada. Uma faixa da rua General Severiano
foi bloqueada com cones.
Uma mensagem SMS (torpedo) foi enviada por telefone celular para
oscolaboradores do Rio de Janeiro, convidando-os a ir ao local da
açãopara prestar homenagem às vítimas do césio-137. Vários
colaboradores compareceram e prestaram solidariedade aos ativistas.
SimoneConforto, de 40 anos, foi um deles. "Acho muito importante
poderparticipar de um ato como esse. Temos que resistir o quanto
forpossível a desmandos como a possível construção de Angra 3",
disse ela.
Confira abaixo o vídeo da ação:
Uma carta assinada por Marcelo Furtado, diretor de campanhas do
Greenpeace, e Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de Energia,
foi enviada ao presidente da CNEN, Odair Dias Gonçalves, com cópia
para os ministros Marina Silva (Meio Ambiente) e Sérgio Rezende
(Ciência e Tecnologia); o secretário estadual de Meio Ambiente do
Rio de Janeiro, Carlos Minc; e presidente do Ibama, Bazileu Alves
Margarido Neto, explicando os motivos do protesto desta
quinta-feira em frente à sede da CNEN e reafirmando a posição do
Greenpeace contra a retomada do programa nuclear brasileiro. O
arquivo PDF da carta pode ser acessado no link ao final deste
texto.
"A CNEN não ofereceu resposta alguma às demandas da sociedade
civil emandou a PM carioca para lidar com uma situação que é de
suaresponsabilidade. Nosso confronto é com o governo federal e
seuprograma nuclear, não com os soldados da PM", afirmou Marcelo
Furtado,diretor de campanhas do Greenpeace Brasil que esteve no
local.
Manifestações foram realizadas ao longo da semana em Salvador e
São Paulo, com ativistas vestidos de preto deitando no chão numa
simulação de morte coletiva, em lembrança da tragédia ocorrida em
Goiânia em 1987. Leia
aqui sobre os outros atos. Confira abaixo a galeria de fotos
dos eventos realizados em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro:
"Com a tragédia do césio -137, o Brasil sentiu na pele os
efeitos devastadores de um acidente nuclear. Passados 20 anos,
pouca coisa mudou: o Estado não reconhece nem ampara todas as
vítimas, não tem capacidade estrutural de lidar com as instalações
nucleares já existentes e não resolveu definitivamente a questão do
lixo radioativo", afirma Rebeca Lerer, da campanha anti-nuclear do
Greenpeace. "Ainda assim, o governo do presidente Lula quer
investir bilhões de reais de dinheiro público na construção da
usina nuclear Angra 3 e no ciclo de enriquecimento de urânio, o que
deve agravar os problemas de segurança já existentes. É
simplesmente inaceitável. A sociedade brasileira deve se mobilizar
para dar uma resposta à altura: não queremos a ameaça nuclear".
Para saber um pouco mais sobre a história do acidente e
participar da cyberação contra a retomada do programa nuclear
brasileiro (e a conseqüente construção da usina de Angra 3), clique
aqui.