Orangotangos e outras espécies ameaçadas sofrem com a exploração de plantações de dendê (palma) nas florestas tropicais de Borneo, na Indonésia.
O Greenpeace lançou nesta semana o relatório Queimando Borneo (arquivo em PDF
para baixar, texto em inglês), expondo os impactos negativos da
produção de dendê para as florestas da Indonésia e para os
orangotangos que vivem na região. De acordo com o relatório, a
Unilever, a empresa por trás de algumas das marcas mais conhecidas
do mundo, como a Dove, contribui com o panorama de destruição, já
que compra dendê - matéria-prima do sabonete Dove - de fornecedores
que destroem as florestas alagadas de turfa para cultivar a
palmácea. Esses ecossistemas não são importantes apenas para os
orangotangos e outras espécies ameaçadas, mas também para a
estabilidade do clima, pois estocam grandes quantidades de
carbono.
"É uma loucura continuar destruindo nossas florestas para
produzir dendê", disse Hapsoro, da campanha de Florestas do
Greenpeace no Sudeste da Ásia. "Uma das demandas que temos feito
repetidamente é para que o governo da Indonésia declare uma
moratória na conversão de florestas e de solos de turfa para o
plantio de dendê. Estamos destruindo nosso patrimônio ambiental
para fabricar sabonetes e shampoos. Traders e consumidores de óleo
de dendê devem parar de comprar matéria-prima de empresas
envolvidas com a destruição florestal".
A devastação das florestas na Indonésia está acontecendo em um
ritmo muito maior do que em qualquer outro lugar do mundo, tornando
o país o terceiro maior emissor de gases do efeito estufa do
planeta.
Confira abaixo o vídeo que fizemos
sobre a questão:
A preparação da terra para novos cultivos de dendê libera
grandes quantidades de dióxido de carbono com a drenagem e
posterior queima dos solos de turfa. Sozinhas, estas áreas são
responsáveis por 4% das emissões globais de gases do efeito
estufa.
O relatório também expõe o efeito devastador para a
biodiversidade do crescimento da indústria de dendê. O número de
orangotangos caiu de forma tão dramática que a espécie está
correndo risco de extinção (3). O Greenpeace mapeou áreas
controladas por fornecedores importantes da Unilever, mostrando
como empresas com relação direta com a multinacional estão
derrubando os últimos habitats dos orangotangos.
"É chocante que a Unilever, um dos maiores consumidores de óleo
de dendê e presidente da Mesa Redonda do Óleo de Dendê (RSPO, na
sigla em inglês) - uma iniciativa da indústria para assegurar a
sustentabilidade na produção de óleo de dendê, não está fazendo
nada para que seus fornecedores parem de destruir as florestas da
Indonésia", disse Sue Connor, do Greenpeace Internacional. "A menos
que a Unilever assuma sua responsabilidade, os orangotangos podem
desaparecer para sempre em alguns anos, assim como as nossas
chances de evitar uma crise climática sem precedentes".
Para o Greenpeace, a Unilever deve apoiar publicamente o fim da
expansão do cultivo de dendê sobre as florestas e áreas de turfa na
Indonésia e parar de comercializar com fornecedores envolvidos com
a destruição florestal.
O Greenpeace espera que a indústria do dendê declare uma
moratória imediata na conversão de florestas e áreas de turfa na
Indonésia, de acordo com os seguintes critérios mínimos:
1. Nenhum novo plantio de dendê deve ser feito nas áreas
de floresta mapeadas;
2. Nenhum plantio de dendê deve resultar em degradação
das áreas de turfa;
3. Nenhum plantio ou expansão de dendê após novembro de
2005 deve resultar em desmatamento ou degradação das áreas de alto
valor para a conservação;
4. Nenhum plantio ou expansão de dendê devem ser
estabelecidos em terras indígenas ou áreas comunitárias sem o
prévio consentimento das populações locais;
5. Sistemas de rastreamento e segregação devem ser
implementados para toda a cadeia de custódia para excluir o óleo de
dendê que não atenda a estes critérios.
Leia também:
Desmatamento na Amazônia em março cai 80% em
relação a fevereiro
Monitoramento da soja é destaque do terceiro
boletim Amazônia Viva!
Saiba como participar da campanha Desmatamento
Zero.
Lula e Congresso são alvos de carta aberta da
sociedade civil em defesa da Amazônia.