Notícia - 30 - jul - 2009
Governo congolês ignora apelos de Ongs locais e dos povos da floresta
Greenpeace tem documentado um aumento do desmatamento no Congo, que tem a segunda maior floresta tropical do planeta, atrás apenas da Amazônia.
O Greenpeace África entregou hoje ao Ministro do Meio Ambiente,
Conservação e Turismo da República Democrática do Congo, José
Endundo Bononge, uma carta aberta denunciando a falta de
transparência no programa de revisão legal dos títulos de
propriedade florestal e pedindo esclarecimentos urgentes do
governo.
Na reta final do processo, o próprio governo anunciou outro
programa para legalizar centenas de títulos que já haviam sidos
invalidados pelo Comitê Interministerial durante a revisão. Sete
anos de trabalho financiado pela comunidade internacional estão
comprometidos. ONGs congolesas encaminharam cartas de protesto, mas
nunca foram respondidas.
Os povos da floresta continuam no escuro. Informações básicas
como a lista de licenças de corte de árvores, por exemplo, não são
disponibilizadas. Às comunidades resta observar a floresta ser
destruída, sem saber quais operações são legais e quais não
são.
A República Democrática do Congo possui a segunda maior floresta
tropical do mundo, superada apenas pela Amazônia. O interesse
mundial de proteção às florestas da Bacia do Congo poderia ser uma
oportunidade histórica para o país desenvolver e implementar o uso
sustentável da floresta e valorizar a biodiversidade e o papel das
florestas primárias em esquemas de Redução de Emissões por
Desmatamento e Degradação Florestal (REDD).
Para colocar em prática projetos de valorização da floresta em
pé, é necessária a elaboração de um plano participativo de uso da
terra que garanta os direitos dos povos indígenas e das comunidades
locais, com transparência e governança local,
Para René Ngongo, conselheiro político do Greenpeace África "não
é tarde demais para salvar as florestas intactas do Congo e apoiar
modelos de desenvolvimento sustentável que beneficiem o povo
congolês. Mas a hora de agir é agora."
Mais de 60% da população do Congo depende direta ou
indiretamente das florestas para subsistência. O Greenpeace
acredita que é essencial manter intactas as florestas para que o
povo congolês se beneficie dos fundos internacionais de proteção às
florestas tropicais.