Fracassou a VI Conferência das Partes (COP 6), realizada em Haia
(Holanda), para discutir o futuro do clima no planeta. Os
representantes dos 160 países reunidos não chegaram a um acordo
sobre a redução da emissão de gases que produzem o efeito
estufa.
Em uma conferência de imprensa, improvisada na manhã de sábado,
o Greenpeace, WWF, Friends of the Earth e a maioria das outras
ONGs, reiteraram sua posição de que a conferência foi um desastre,
no sentido de buscar alternativas sustentáveis para interromper o
aquecimento global. De acordo com o Greenpeace, a reunião marca o
momento em que os governos abandonaram suas promessas de cooperação
global para proteger o clima do planeta.
A organização ambientalista acusa o bloco dos países
industrializados - com EUA, Japão, Canadá e Austrália, à frente -
de prejudicar as negociações. O acordo também falhou
internacionalmente em relação aos novos projetos de financiamento
para os países não-industrializados. Toda a conferência foi
suspensa até o próximo encontro, marcado para maio, em lugar a ser
definido.
Esperava-se que o encontro estabelecesse as regras para a
aplicação do Protocolo de Kyoto (1997), que determina as cotas de
redução dos gases-estufa por 38 países industrializados. Mas, ao
invés de reduzir a emissão dos gases, os limites de poluição devem,
na verdade, ser aumentados. O fracasso de Haia é uma advertência
para a crescente alteração no clima do planeta.
Há dez anos, surgiram os primeiros avisos científicos sobre os
perigos das mudanças climáticas e a necessidade de cortes
substanciais na emissão de gases-estufa. Os primeiros sinais das
mudanças climáticas já podem ser sentidos e funcionam como um
alerta para os governos. Se as nações continuarem a agir
irresponsavelmente, como fizeram nesta semana, os países ricos
devem se preparar para levantar barricadas cada vez maiores, de
onde poderão assistir o sofrimento e decadência do resto do mundo e
da biodiversidade.
Sem dúvida, é melhor não existir um consenso do que ter um
documento cheio de falhas, que permitem o aumento na emissão de
gases-estufa. Os países participantes da conferência fracassaram
diante da expectativa pública. Os políticos deveriam procurar
alternativas para solucionar a questão do aquecimento global,
através da utilização de energias limpas e eficientes.
Um aspecto positivo do encontro, no entanto, foi o fato dos
países não deixarem que os EUA e seus aliados manipulassem as
negociações. E o mais importante: a grande demonstração de
preocupação e ação públicas. Por exemplo, 12 milhões de pessoas
mandaram mensagens via internet para os líderes dos governos que
estiveram presentes ao encontro, nas últimas três semanas. Além
disso, seis mil pessoas de todas as partes do mundo vieram até
Haia, no último final de semana, para construir uma barricada do
lado de fora do centro de conferências.
Agora, o desafio será aumentar a pressão pública e iniciar
atividades que reduzam a emissão de gases-estufa e que evitem a
queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás), que
produzem CO2 (o principal causador do efeito estufa). Os governos
devem parar de agir como se o mundo fosse um jogo. As mudanças
climáticas estão acontecendo, vitimando um número cada vez maior de
pessoas, ameaçadas por inundações e secas.