Fracassa conferência sobre mudanças climáticas

Notícia - 26 - nov - 2000

Fracassou a VI Conferência das Partes (COP 6), realizada em Haia (Holanda), para discutir o futuro do clima no planeta. Os representantes dos 160 países reunidos não chegaram a um acordo sobre a redução da emissão de gases que produzem o efeito estufa.

Em uma conferência de imprensa, improvisada na manhã de sábado, o Greenpeace, WWF, Friends of the Earth e a maioria das outras ONGs, reiteraram sua posição de que a conferência foi um desastre, no sentido de buscar alternativas sustentáveis para interromper o aquecimento global. De acordo com o Greenpeace, a reunião marca o momento em que os governos abandonaram suas promessas de cooperação global para proteger o clima do planeta.

A organização ambientalista acusa o bloco dos países industrializados - com EUA, Japão, Canadá e Austrália, à frente - de prejudicar as negociações. O acordo também falhou internacionalmente em relação aos novos projetos de financiamento para os países não-industrializados. Toda a conferência foi suspensa até o próximo encontro, marcado para maio, em lugar a ser definido.

Esperava-se que o encontro estabelecesse as regras para a aplicação do Protocolo de Kyoto (1997), que determina as cotas de redução dos gases-estufa por 38 países industrializados. Mas, ao invés de reduzir a emissão dos gases, os limites de poluição devem, na verdade, ser aumentados. O fracasso de Haia é uma advertência para a crescente alteração no clima do planeta.

Há dez anos, surgiram os primeiros avisos científicos sobre os perigos das mudanças climáticas e a necessidade de cortes substanciais na emissão de gases-estufa. Os primeiros sinais das mudanças climáticas já podem ser sentidos e funcionam como um alerta para os governos. Se as nações continuarem a agir irresponsavelmente, como fizeram nesta semana, os países ricos devem se preparar para levantar barricadas cada vez maiores, de onde poderão assistir o sofrimento e decadência do resto do mundo e da biodiversidade.

Sem dúvida, é melhor não existir um consenso do que ter um documento cheio de falhas, que permitem o aumento na emissão de gases-estufa. Os países participantes da conferência fracassaram diante da expectativa pública. Os políticos deveriam procurar alternativas para solucionar a questão do aquecimento global, através da utilização de energias limpas e eficientes.

Um aspecto positivo do encontro, no entanto, foi o fato dos países não deixarem que os EUA e seus aliados manipulassem as negociações. E o mais importante: a grande demonstração de preocupação e ação públicas. Por exemplo, 12 milhões de pessoas mandaram mensagens via internet para os líderes dos governos que estiveram presentes ao encontro, nas últimas três semanas. Além disso, seis mil pessoas de todas as partes do mundo vieram até Haia, no último final de semana, para construir uma barricada do lado de fora do centro de conferências.

Agora, o desafio será aumentar a pressão pública e iniciar atividades que reduzam a emissão de gases-estufa e que evitem a queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás), que produzem CO2 (o principal causador do efeito estufa). Os governos devem parar de agir como se o mundo fosse um jogo. As mudanças climáticas estão acontecendo, vitimando um número cada vez maior de pessoas, ameaçadas por inundações e secas.

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