Ativistas do Greenpeace estenderam banners gigantes no Arco do Triunfo, em Paris, exigindo que o governo francês proíba o plantio de transgênicos no país.Greenpeace/Pierre Gleizes
Um dia depois de ativistas do Greenpeace subirem ao Arco do
Triunfo em Paris e
estenderem um banner gigante exingindo do governo francês o
banimento dos transgênicos da França, o presidente Nicolas
Sarkozy anunciou nesta quinta-feira que suspenderá o cultivo de
organismos geneticamente modificados no país até que seja instalada
uma autoridade nacional para determinar a segurança dessa
tecnologia.
Sarkozy deu três motivos para sua decisão: há dúvidas sobre a
segurança dos transgênicos, sobre sua utilidade e preocupações
sobre a falta de controle em relação à contaminação de outras
plantações. O presidente francês não deu prazo para o fim da
suspensão.
"O Greenpeace está feliz por ver que o governo francês levou em
conta os argumentos ambientais e baniu o cultivo de organismos
geneticamente modificados. O anúncio do presidente Sarkozy é uma
vitória para os consumidores e agricultores franceses, bem como
para o meio ambiente do país. O Greenpeace espera que todos os
governos sigam a iniciativa da França e protejam seus cidadãos e
seu meio ambiente das ameaças dos transgênicos", afirmou Arnaud
Apoteker, da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace
França.
A suspensão dos transgênicos na França deve ocorrer depois da
época de plantio de 2008, mas a FNSEA, principal organização de
agricultores do país, pede para que isso ocorra antes da
temporada.
A proibição de plantio e colheita de transgênicos na França
afetará notadamente o milho MON810, da Monsanto, única variedade
geneticamente modificada autorizada para cultivo na Europa.
Áustria, Alemanha, Grécia, Hungria e Polônia já aboliram essas
plantações e outros países da União Européia estão prestes a seguir
o mesmo caminho.
Milhos transgênicos na berlinda
As boas novas não se resumem à França. A Comissão Ambiental da
União Européia (UE) está, pela primeira vez em sua história,
propondo o banimento de dois tipos de milho transgênico (Bt 11, da
Syngenta, e o 1507 da Pioneer/Dow) devido aos riscos que oferecem
ao meio ambiente. O milho Bt 11 é uma das variedades geneticamente
modificadas aprovadas recentemente pela Comissão Técnica Nacional
de Biossegurança (CTNBio) no Brasil - a liberação foi suspensa por
ordem da Justiça, ver texto abaixo).
O Bt11 e o 1507 foram modificados para produzir uma toxina
venenosa para alguns tipos de insetos. No entanto, estudos
científicos mostram que esse milho transgênico é tóxico também a
algumas espécies de borboletas e pode afetar também outros tipos de
insetos, além de ter efeitos nocivos a longo prazo para o solo.
A proposta da Comissão Ambiental da UE está aparentemente
baseada em evidências científicas que mostram que o cultivo dessas
duas variedades de milho transgênico têm o potencial da causar
danos ambientais.
Vários cientistas publicaram recentemente estudos mostrando que
os efeitos do milho Bt não são previsíveis e que o risco potencial
é maior que o imaginado. Esses estudos demonstraram que os
procedimentos atuais da UE não são capazes de avaliar os riscos
oferecidos por plantações do milho Bt.
Justiça dá dura na CTNBio
Na sexta-feira passada (dia 19 de outubro), a Justiça Federal do
Paraná decidiu que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio) não pode liberar nenhuma variedade transgênica de milho no
Brasil enquanto não elaborar medidas que garantam a coexistência
com variedades orgânicas, convencionais e ecológicas. Isso vale
para o milho da Monsanto (MON810), Bayer (Liberty Link) e Syngenta
(Bt11). Caso a decisão da juíza Pepita Durski Tramontini Mazini não
seja respeitada, a CTNBio está sujeita a multa diária.
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