Fogo invade a vegetação da Espanha.
Um novo relatório lançado pelo Greenpeace na Espanha lista como
o aquecimento global já está provocando um aumento na intensidade
e propagação de incêndios florestais nos países do Mediterrâneo e
no Sul da Europa.
Clique aqui
para acessar o relatório "Futuro em chamas", em espanhol.
O relatório detalha como as ondas de calor, os terrenos secos,
as mudanças no uso do solo, as áreas degradadas e a falta de gestão
das florestas tornam a vegetação mais inflamável e as queimadas
cada vez maiores e mais difíceis de controlar. Esses impactos das
mudanças climáticas já estão sendo observados em famosos destinos
turísticos na Espanha como as ilhas Canárias e a Grécia.
As queimadas matam, destroem ecossistemas frágeis e arruínam a
agricultura. Este ano nas Ilhas Canárias, Espanha, os incêndios
têm causado muitos estragos: onze pessoas morreram e 8000 foram
evacuadas. Dados do Centro Europeu de Informações sobre Incêndios
florestais mostram que apenas 25 dos mais de 10 mil focos de
incêndios queimaram até agora mais de 65% da superfície dos 500 ha
atingidos.
Dados divulgados pela União Europeia esta semana mostram que até
a metade da época de queimadas deste ano, os incêndios no
continente já queimaram uma área maior do que em todo o ano
passado. O relatório também fornece estudos de caso detalhados
sobre os incêndios florestais na Galícia - no noroeste da Espanha,
na fronteira com Portugal - onde há previsão de acontecer metade
dos incêndios da Espanha.
"As mudanças climáticas está mudando o padrão e a intensidade
dos incêndios com consequências sociais e econômicas
desconhecidas", disse Miguel Soto, do Greenpeace na Espanha. "Os
incêndios florestais estão ficando fora de controle na Espanha e em
toda a parte sul da Europa, bem como em outras regiões semi-áridas
na Califórnia e Austrália. Com modelos de clima prevendo aumento
das ondas de calor nos próximos anos, estamos nos aproximando de
uma emergência global ", completa.
A região do Mediterrâneo foi identificada pelo Painel
Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas
(IPCC) como um dos locais mais vulneráveis aos impactos das
mudanças climáticas. Os incêndios dos últimos anos incluem uma onda
de calor que atingiu toda a Europa em 2003 e causou fortes
incêndios em Portugal, no sul da França e na Itália; em 2007 os
incêndios inavadiram Tenerife e Grécia; já em 2009, os incêndios
mais fortes aconteceram na Espanha.
"Esse ciclo vicioso entre o aumento da temperatura e uma maior
quantidade de incêndios nas florestas é uma evidência de que as
mudanças climáticas são um fator chave na propagação desses
incêndios, que por sua vez emitem mais gases e agravam o
aquecimento global", disse Christoph Thies do Greenpeace
Internacional. "Líderes mundiais não podem deixar o planeta queimar
e para impedir isso, devem colocar dinheiro sobre a mesa
principalmente para combater o desmatamento. Se eles falharem ,
irão deixar nosso futuro virar cinzas", comenta.
Greenpeace acredita que na Convenção de Clima a ser realizada em
Copenhague em dezembro, os líderes devem assumir um corte de 40%
nas emissões até 2020 e que os países desenvolvidos invistam USD $
140 bilhões por ano para ajudar países em desenvolvimento a
migrarem para uma economia de baixas emissões de carbono, combater
o desmatamento e investir em ações para se adaptar aos impactos das
mudanças do clima.
Leia mais sobre esse assunto no blog do Greenpeace.