Greenpeace action in Rio de Janeiro Brazil.
Os líderes dos G20, o grupo dos 20 países mais
ricos do mundo, se reúnem em Londres amanhã para discutir a crise
financeira global. No entanto, esta não é a única - e nem a mais
importante - crise a assombrar o planeta. Só que, pior do que não
falar, é não fazer nada para combater as mudanças climáticas. "O
G20 têm uma oportunidade única de resolver a crise econômica e a
crise climática simultaneamente: basta investir na construção de
uma economia sem carbono", disse Paulo Adário, coordenador da
campanha da Amazônia, no Rio de Janeiro
Trinta ativistas abriram hoje uma faixa de 50m
x 30m no vão principal da ponte Rio-Niterói para enviar uma
mensagem clara ao G20: "Líderes mundiais: o clima e as pessoas em
primeiro lugar".
Leia o pedido de desculpas à população carioca e
niteroiense pelo transtorno causado durante nossa atividade na
ponte Rio-Niterói.
Leia
aqui a nossa avaliação da ação realizada na Ponte Rio-Niterói e das
críticas que recebemos
Para o Greenpeace, as nações do G20 devem
comprometer pelo menos 1% de seu PIB em medidas econômicas
sustentáveis, além de abandonarem os subsídios e outros incentivos
econômicos que contribuem com as mudanças climáticas. Os demais
países devem fazer tudo o que tiver ao seu alcance para sair do
modelo de desenvolvimento baseado em carbono por um futuro de
energias renováveis. Além de reduzir emissões, tais iniciativas vão
fortalecer os esforços em direção a um acordo global forte e
efetivo na Convenção de Clima que acontece em Copenhague, em
dezembro.
Veja a galeria de fotos do Flickr:
O Brasil é o quarto maior emissor de gases do
efeito estufa principalmente por causa do desmatamento na Amazônia.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), dos 70
milhões de hectares de floresta amazônica já desmatados na Amazônia
Brasileira, cerca de 29 milhões de hectares foram destruídos depois
da criação da Convenção de Clima da ONU em 1992, liberando 8 Giga
tons de CO2 na atmosfera no período (1992-2009). Isso é mais do que
as emissões anuais dos Estados Unidos em 2000 (6,6 Gt) e da China
(5,1 Gt) e quase quatro vezes mais que o total emitido pelo Brasil
(2,2 Gt) naquele ano.
"Zerar o desmatamento da Amazônia é a maior
contribuição que o Brasil pode fazer na luta contra as mudanças
climáticas. O Brasil deve ainda assumir a liderança apoiando o
estabelecimento de um mecanismo financeiro global para acabar com o
desmatamento e, consequentemente, com as emissões provenientes da
destruição florestal", disse Adario.
Veja o vídeo:
A ciência tem apresentado evidências claras de
que as mudanças climáticas estão acontecendo em um ritmo muito mais
acelerado do que se esperava e que há uma forte relação entre a
sobrevivência econômica e climática do planeta. Estima-se que uma
crise climática a todo o vapor resultaria no deslocamento de
milhões de pessoas, ondas de fome, extinções em massa, com pobreza
permanente em países em desenvolvimento e estrangulamento do
crescimento econômico nos países desenvolvidos.
Os países do G20 representam 75% PIB global,
75% do consumo de energia e 75% das emissões de carbono. Mas, até
agora eles parecem não entender que a contínua prosperidade de seus
países não é conflitante com a preservação do meio ambiente, mas
dependente dela. No longo prazo, a escolha que teremos de fazer não
será entre empregos verdes e trabalho sujo, e sim entre empregos
sustentáveis versus o colapso ecológico e social. "Até que as
mudanças climáticas sejam a prioridade das comunicações do G20 e
estejam no centro do seu raciocínio, o grupo não será apenas
ignorante do ponto de vista científico, mas também do ponto de
vista econômico", disse John Sauven, diretor-executivo do
Greenpeace na Inglaterra.