No Dia Mundial do Meio Ambiente e na véspera da reunião de
cúpula do G8, o Greenpeace exige que a chanceler alemã, Angela
Merkel, lidere os países do G8 a assumirem suas responsabilidades
no combate às mudanças climáticas. Independentemente do resultado
da reunião agendada para quarta, dia 6, entre Merkel e Bush, os
países do G8 precisam agir imediatamente e de forma decisiva,
assumindo o compromisso de cortar em 50% suas emissões de gases de
efeito estufa até 2050 - em relação às emissões de 1990 - para
manter o aquecimento médio global abaixo dos 2ºC. Merkel já afirmou
que essa meta é "inegociável".
"Não seriam necessárias mais reuniões se Bush realmente quisesse
fazer um acordo de redução de emissões com os maiores poluidores. O
presidente Bush deve simplesmente se comprometer com essa redução
de 50%", afirmou Daniel Mittler, especialista em mudanças
climáticas do Greenpeace Internacional. A pressão internacional e
de seu próprio país levou Bush a apresentar, na semana passada, um
novo subterfúgio - a Nova Iniciativa Climática. "O mundo não
precisa de mais essa distração do presidente norte-americano.
Precisa, sim, que os países industrializados assumam as metas
necessárias de redução para impedir as conseqüências mais trágicas
do aquecimento global", complementou Mittler.
Os países do G8 são responsáveis por mais de 80% das emissões
históricas de gases estufa e, nos dias de hoje, emitem 40% de todo
o CO2 despejado na atmosfera. As emissões per capita de CO2 nos
países do G8 estão entre as mais altas do mundo, lideradas pelas
emissões dos EUA, que totalizam cerca de 20 toneladas de CO2 per
capita ao ano.
O Greenpeace acredita que o G8 deva adotar metas que
possibilitem:
· Manter o aumento da temperatura média global abaixo dos 2oC em
relação aos níveis pré-industriais.
· Comprometer-se com um corte de 30% das emissões até 2020, e de
80%-90% até 2050 (em relação aos níveis de 1990). A Alemanha deve
unilateralmente cortar 40% de emissões até 2020, para mostrar
liderança.
· Chegar a um acordo nas negociações da Convenção do Clima da
ONU em dezembro de 2007, estabelecendo um mandato formal e um
cronograma de cortes de emissões dentro do Protocolo de Kyoto no
mais tardar até 2009.
· Garantir o fim da destruição de florestas primárias até 2010 e
de todas as florestas até 2020, uma vez que cerca de 25% das
emissões globais de CO2 são provenientes da destruição de florestas
tropicais.
O Greenpeace argumenta ainda que as informações e tecnologias
necessárias para efetuar este corte nas emissões já estão
disponíveis. Um exemplo é o estudo
Revolução Energética, lançado em janeiro deste ano pelo
Greenpeace em parceria com a Agência Espacial Alemã, mostra como é
possível cortar as emissões em 50% através da adoção de medidas de
eficiência energética e de energias renováveis em ampla escala,
eliminando-se os subsídios para energias poluidoras como carvão e
nuclear.
Países em desenvolvimento: Brasil e China
Enquanto o presidente Lula se prepara para a reunião do G8 na
Alemanha, a nova Secretária Nacional de Mudanças Climáticas do
Ministério do Meio Ambiente, Telma Krug assustou a sociedade civil
brasileira em entrevista publicada ontem no jornal Folha de São
Paulo. Krug considerou a opção nuclear, disse que não acredita em
desmatamento zero e alegou que ainda vai precisar de dois anos para
elaborar um plano nacional de ação contra o aquecimento global.
"Esta posição é atrasada, limitada e perigosa", disse Marcelo
Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace Brasil. "O Brasil não
pode esperar dois anos para resolver como vai eliminar o
desmatamento, ampliar a participação das energias renováveis na
matriz energética brasileira, identificar as áreas e setores
socioeconômicos mais vulneráveis e elaborar um plano de adaptação
para as populações que já estão vivendo as conseqüências do
aquecimento global no país. Esta é uma situação emergencial que
exige prioridade absoluta do poder público". Veja
carta enviada pelo Greenpeace à Folha de São Paulo em resposta
ao conteúdo da entrevista de Telma.
Enquanto o Brasil reluta em agir, o governo do Amazonas está
dando um passo decisivo. O governador do estado sancionou nesta
terça a lei que institui a Política Estadual sobre Mudanças
Climáticas, a primeira elaborada no Brasil. Durante a solenidade de
lançamento da política, o coordenador da campanha Amazônia do
Greenpeace, Paulo Adário, aproveitou para solicitar aos
parlamentares presentes que cobrem do presidente Lula a iniciativa
de adotar uma Política Nacional de Mudanças Climáticas.
Do outro lado do planeta, a China anunciou ontem seu Programa
Nacional de Mudanças Climáticas, primeira proposta desta natureza a
ser adotada por um país em desenvolvimento. O programa prevê uma
série de medidas de combate ao aquecimento global, principalmente
nas áreas de eficiência energética e reflorestamento, além de
delinear uma reforma nos preços dos combustíveis fósseis como o
carvão de acordo com seus impactos ambientais. Veja
posição do Greenpeace sobre a proposta chinesa.
"Se, por um lado, tudo o que o governo brasileiro vem promovendo
como contribuição à crise climática é o etanol, o movimento do
governo chinês deixa claro que um país em desenvolvimento pode e
deve encarar o aquecimento global de frente e adotar medidas
concretas para reduzir sua participação no problema. A China saiu
na frente do Brasil nesta corrida para equilibrar desenvolvimento
econômico e proteção climática", conclui Furtado.