G8 deve ignorar Bush e liderar corte das emissões de CO2

Notícia - 4 - jun - 2007
Os países do G8 são responsáveis por mais de 80% das emissões históricas de gases estufa e emitem 40% de todo o CO2 despejado na atmosfera

No Dia Mundial do Meio Ambiente e na véspera da reunião de cúpula do G8, o Greenpeace exige que a chanceler alemã, Angela Merkel, lidere os países do G8 a assumirem suas responsabilidades no combate às mudanças climáticas. Independentemente do resultado da reunião agendada para quarta, dia 6, entre Merkel e Bush, os países do G8 precisam agir imediatamente e de forma decisiva, assumindo o compromisso de cortar em 50% suas emissões de gases de efeito estufa até 2050 - em relação às emissões de 1990 - para manter o aquecimento médio global abaixo dos 2ºC. Merkel já afirmou que essa meta é "inegociável".

"Não seriam necessárias mais reuniões se Bush realmente quisesse fazer um acordo de redução de emissões com os maiores poluidores. O presidente Bush deve simplesmente se comprometer com essa redução de 50%", afirmou Daniel Mittler, especialista em mudanças climáticas do Greenpeace Internacional. A pressão internacional e de seu próprio país levou Bush a apresentar, na semana passada, um novo subterfúgio - a Nova Iniciativa Climática. "O mundo não precisa de mais essa distração do presidente norte-americano. Precisa, sim, que os países industrializados assumam as metas necessárias de redução para impedir as conseqüências mais trágicas do aquecimento global", complementou Mittler.

Os países do G8 são responsáveis por mais de 80% das emissões históricas de gases estufa e, nos dias de hoje, emitem 40% de todo o CO2 despejado na atmosfera.  As emissões per capita de CO2 nos países do G8 estão entre as mais altas do mundo, lideradas pelas emissões dos EUA, que totalizam cerca de 20 toneladas de CO2 per capita ao ano.

O Greenpeace acredita que o G8 deva adotar metas que possibilitem:

· Manter o aumento da temperatura média global abaixo dos 2oC em relação aos níveis pré-industriais.

· Comprometer-se com um corte de 30% das emissões até 2020, e de 80%-90% até 2050 (em relação aos níveis de 1990). A Alemanha deve unilateralmente cortar 40% de emissões até 2020, para mostrar liderança.

· Chegar a um acordo nas negociações da Convenção do Clima da ONU em dezembro de 2007, estabelecendo um mandato formal e um cronograma de cortes de emissões dentro do Protocolo de Kyoto no mais tardar até 2009.

· Garantir o fim da destruição de florestas primárias até 2010 e de todas as florestas até 2020, uma vez que cerca de 25% das emissões globais de CO2 são provenientes da destruição de florestas tropicais.

O Greenpeace argumenta ainda que as informações e tecnologias necessárias para efetuar este corte nas emissões já estão disponíveis. Um exemplo é o estudo Revolução Energética, lançado em janeiro deste ano pelo Greenpeace em parceria com a Agência Espacial Alemã, mostra como é possível cortar as emissões em 50% através da adoção de medidas de eficiência energética e de energias renováveis em ampla escala, eliminando-se os subsídios para energias poluidoras como carvão e nuclear.

Países em desenvolvimento: Brasil e China

Enquanto o presidente Lula se prepara para a reunião do G8 na Alemanha, a nova Secretária Nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Telma Krug assustou a sociedade civil brasileira em entrevista publicada ontem no jornal Folha de São Paulo. Krug considerou a opção nuclear, disse que não acredita em desmatamento zero e alegou que ainda vai precisar de dois anos para elaborar um plano nacional de ação contra o aquecimento global.

"Esta posição é atrasada, limitada e perigosa", disse Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace Brasil. "O Brasil não pode esperar dois anos para resolver como vai eliminar o desmatamento, ampliar a participação das energias renováveis na matriz energética brasileira, identificar as áreas e setores socioeconômicos mais vulneráveis e elaborar um plano de adaptação para as populações que já estão vivendo as conseqüências do aquecimento global no país. Esta é uma situação emergencial que exige prioridade absoluta do poder público". Veja carta enviada pelo Greenpeace à Folha de São Paulo em resposta ao conteúdo da entrevista de Telma.

Enquanto o Brasil reluta em agir,  o governo do Amazonas está dando um passo decisivo. O governador do estado sancionou nesta terça a lei que institui a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas, a primeira elaborada no Brasil. Durante a solenidade de lançamento da política, o coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, aproveitou para solicitar aos parlamentares presentes que cobrem do presidente Lula a iniciativa de adotar uma Política Nacional de Mudanças Climáticas.

Do outro lado do planeta, a China anunciou ontem seu Programa Nacional de Mudanças Climáticas, primeira proposta desta natureza a ser adotada por um país em desenvolvimento. O programa prevê uma série de medidas de combate ao aquecimento global, principalmente nas áreas de eficiência energética e reflorestamento, além de delinear uma reforma nos preços dos combustíveis fósseis como o carvão de acordo com seus impactos ambientais. Veja posição do Greenpeace sobre a proposta chinesa.

"Se, por um lado, tudo o que o governo brasileiro vem promovendo como contribuição à crise climática é o etanol, o movimento do governo chinês deixa claro que um país em desenvolvimento pode e deve encarar o aquecimento global de frente e adotar medidas concretas para reduzir sua participação no problema. A China saiu na frente do Brasil nesta corrida para equilibrar desenvolvimento econômico e proteção climática", conclui Furtado.

Tópicos