A maratona de eleições para as Prefeituras e Câmara de
Vereadores em todo o Brasil é uma excelente oportunidade para o
debate de propostas para principais questões ambientais do País,
que estão diretamente relacionadas à vida dos moradores das
cidades. Uma das questões que deve ser tratada é a proteção das
florestas situadas nas áreas urbanas - tema geralmente considerado
irrelevante na agenda política das nossas metrópoles.
Além dos assuntos tradicionais para os quais devemos voltar
nosso olhar, como segurança, emprego, educação e saúde, é
fundamental incluir a proteção das florestas e dos mananciais para
garantir a qualidade de vida nas cidades.
Não é possível conceber a vida, em nenhum lugar, sem água e ela
não existe sem que a proteção das florestas recaia sobre os rios e
os mananciais, fontes de água perene e abundante que abastecem as
represas, de onde ela é retirada para chegar até nossas casas.
A situação é desesperadora na cidade de São Paulo e região
metropolitana. Em dois dos principais mananciais de água da grande
São Paulo, o total de florestas de Mata Atlântica protegidas é
baixíssimo. Apenas 3% da área da bacia Guarapiranga está protegida
por unidades de conservação. Na Billings, o índice é ainda menor:
2%.
A produção de água de boa qualidade para o abastecimento nas
cidades é essencial. Por isso, é necessário que os candidatos aos
cargos municipais se comprometam com a criação de áreas protegidas
nas regiões de mananciais e com o reflorestamento das nascentes e
matas ciliares, com a utilização de espécies nativas.
É preciso também garantir a manutenção das leis que protegem as
florestas e as matas ciliares localizadas no espaço urbano. Apesar
de todos os problemas ambientais que assolam as cidades de todo o
País, o Código Florestal e a Lei do Parcelamento do Solo Urbano,
estão ameaçados de revogação pelo projeto de lei 3.057/2000, da
Câmara dos Deputados, conforme denúncia da Associação de Órgãos
Municipais de Meio Ambiente (Annama).
Além de manter os mananciais, as árvores são remédio certeiro
para combater os efeitos das mudanças climáticas que já se propagam
pelo mundo. A dose certa desse remédio é 24 metros quadrados de
áreas verdes e parques por habitante, o dobro do padrão fixado pela
Organização Mundial de Saúde.
À semelhança dos bichos, nós também precisamos das florestas e
das águas para viver, em que pese a nossa teimosia em reconhecer
isso. Gente também é bicho!
Os cuidados com a floresta e com os mananciais fazem parte da
plataforma ambiental que o Greenpeace lançou ontem. O documento
reúne várias propostas que podem ser adotadas por qualquer
município do País. O objetivo é unir forças com outras
organizações da sociedade civil e movimentos sociais para ajudar a
compor um painel promissor de um futuro melhor para todo o povo
brasileiro.