Notícia - 19 - set - 2007
Gestantes fazem protesto em reunião da CTNBio, em Brasília, contra a liberação de milho transgênico da Bayer.
Dez mulheres, incluindo algumas gestantes, foram hoje até a
reunião da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança)
protestar contra a liberação do milho transgênico da Bayer. As
manifestantes querem saber por que os cientistas da comissão
ignoraram, em sua análise, questões que podem colocar em risco a
saúde de gestantes, lactantes e bebês. Elas também foram fazer um
apelo para que CTNBio não repita a mesma falta de responsabilidade
na análise dos próximos pedidos de liberação comercial de
variedades geneticamente modificadas.
A preocupação das manifestantes surgiu depois que a Anvisa
(Agência Nacional da Vigilância Sanitária) encaminhou recurso ao
Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) com diversos
questionamentos sobre a segurança do milho transgênico da Bayer
para consumo humano. Em seu recurso, a Anvisa afirma que "o
processo de liberação comercial do milho da Bayer possui estudos
inadequados e insuficientes para atestar a segurança alimentar e
determinar os riscos à saúde pública da cultura geneticamente
modificada". Entre as irregularidades apontadas pela agência estão
a falta de estudos toxicológicos ou de alergenicidade. Na opinião
da Anvisa, a Bayer deve apresentar estudos sobre as conseqüências
do consumo do produto transgênico para a saúde humana e, em
especial para a amamentação.
"As dúvidas levantadas pela Anvisa sobre a falta de segurança
desse milho para a saúde humana são muito graves e não poderiam ter
sido deixadas de lado pela CTNBio", afirmou Paula Pereira, uma das
manifestantes. "É inaceitável que os membros dessa comissão
coloquem a saúde de tanta gente em risco. Isso não pode continuar
acontecendo".
As manifestantes demonstraram preocupação especial com a
possibilidade de que os efeitos notados em cobaias filhotes - como
aumento da taxa de mortalidade, mudança na composição do sangue,
alterações nos rins e testículos - possam se repetir em bebês.
Também destacaram um temor de que os resíduos de agrotóxico - que
são maiores nas variedades transgênicas - e as bactérias inseridas
no milho geneticamente modificado possam passar aos bebês por meio
do leite materno.
Carta ao presidente
No início de setembro, 48 entidades e movimentos que compõem o
Fórum Nacional pela Reforma Agrária enviaram carta ao Presidente
Lula pedindo a não aprovação do milho da Bayer pelo CNBS. Na carta,
as entidades afirmam que a eventual liberação de variedades
transgênicas irá destruir a economia agrícola familiar e camponesa
do país. "Com o milho transgênico, Senhor Presidente, os
consumidores, os produtores e o Brasil perdem. Só as empresas
transnacionais de biotecnologia ganham", diz o documento.