A floresta amazônica arde sob o fogo criminoso que já destruiu milhares de quilômetros da região nos últimos anos. O Greenpeace transmitiu imagens ao vivo da destruição, pelo seu site na internet, no último dia 29 de agosto.
Após três anos seguidos de queda, a taxa anual de desmatamento
na Amazônia voltou a aumentar. Entre agosto de 2007 e julho de 2008
foram desmatados 11.968 quilômetros quadrados - 3,8% a mais que os
11.532 km2 do período anterior. A notícia foi divulgada nesta
sexta-feira (28/11) pelo diretor do Inpe, Gilberto Câmara, na sede
da instituição em São José dos Campos (SP).
"Não foi por falta de aviso. Desde meados de 2007 o Greenpeace
vem alertando o governo a respeito da retomada do desmatamento,
observada e exposta por nós em regiões como a BR-163,
no Pará, e no norte do Mato Grosso", diz Paulo Adario, diretor da
campanha Amazônia.
"O que faltou foi o engajamento consistente de todo o governo -
e não apenas do Ministério do Meio Ambiente - na tarefa de combater
o desmatamento na Amazônia. As más notícias em relação à destruição
da floresta só vão terminar quando o governo Lula assumir o
compromisso de zerar o desmatamento até 2015 e adotar
políticas públicas consistentes para isso", avalia Adario, que
lamentou o fato de a divulgação dos dados do desmatamento voltar a
ser feita isoladamente pelo Inpe.
"Ao contrário dos últimos anos, ONGs e pesquisadores não
receberam os dados antecipadamente para análise, prática
fundamental do compromisso de transparência assumido pela
ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Esperamos que isso seja
apenas um acidente de percurso e não uma mudança de
orientação."
Na quinta-feira, o Greenpeace participou, juntamente com outras ONGs, da
reunião da revisão do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do
Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), criado há quatro anos. O
plano, coordenado pela Casa Civil, foi mal executado pela falta de
engajamento de setores do governo, como é o caso da própria Casa
Civil e do Ministério da Agricultura. Essa falta de engajamento é
uma das razões para o aumento que vemos agora no desmatamento da
floresta amazônica.
Esperamos que na próxima segunda-feira (1o. de dezembro), quando
for lançado o Plano Nacional de Mudança do Clima (PNMC)
pelo governo, sejam estabelecidas metas para zerar o desmatamento
na Amazônia, e que Lula consiga enfim engajar seus ministérios no
combate à destruição da floresta.
"Se a ministra Dilma Roussef (Casa Civil), que coordena tanto o
Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) como o Plano de Ação
contra o Desmatamento, desse a mesma atenção para a Amazônia como
dá para as obras do PAC, quem sabe o destino da floresta seria
outro?", afirma Sérgio Leitão, diretor de campanhas do
Greenpeace.
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