Governo cede a madeireiros e suspende autorização para transporte de árvore

Notícia - 16 - out - 2007
Ativistas do Greenpeace foram cercados em cidade do Pará por cerca de 300 pessoas e impedidos de trazer castanheira para exposição no sudeste sobre a destruição da Amazônia.

Tora de castanheira 'sequestrada' por madeireiros do Pará seria usada em expedição itinerante sobre desmatamento na Amazônia

A presidência do Ibama suspendeu na manhã desta quarta-feira a autorização dada ao Greenpeace para transportar a tora de castanheira que foi apreendida pela população local de Castelo dos Sonhos, no oeste do Pará, sob influência de madeireiros.

O Greenpeace pediu ao governo federal uma cópia do documento que revoga a autorização de transporte da árvore, mas até o momento nada foi enviado. Ao time de campo, o Ibama comunicou que a autorização havia sido suspensa e imediatamente ordenou ao motorista que retirasse a árvore do local e a devolvesse ao local de origem.

O motorista do caminhão se recusou e deixou a carreta no centro da cidade, seguindo ordens dos madeireiros. Neste momento, os madeireiros organizam um protesto, juntamente com a população local, exigindo que a árvore fique na cidade. Eles afirmam que os ativistas não deixarão à cidade enquanto dois representantes não forem enviados para o local para pedir desculpas à população.

O grupo de oito pessoas foi cercado na terça-feira à tarde por aproximadamente 300 pessoas, incluindo dezenas de madeireiros, caminhões, pick-ups e motocicletas. Eles tentam impedir que os ativistas do Greenpeace saiam da cidade com a tora de 13 metros de castanheira (Bertholletia excelsa), que estava sendo transportada para uma exposição no sudeste do país.

Clique aqui e confira o relato de um dos integrantes do grupo de ativistas do Greenpeace que está no local.

A árvore seria parte da exposição itinerante "Aquecimento Global: Apague essa Idéia", organizada pelo Greenpeace, para aproximar a realidade da Amazônia de milhares de brasileiros que nunca tiveram a oportunidade de ver a floresta de perto. A árvore, queimada ilegalmente em terras públicas no oeste do Pará, simboliza a rápida destruição da Amazônia e seria exibida em locais de grande visitação pública em São Paulo e no Rio de Janeiro para chamar a atenção da população sobre a necessidade urgente de zerar o desmatamento na Amazônia e, assim, contribuir para reduzir as emissões brasileiras de gases que provocam o aquecimento global. Os governadores de São Paulo, José Serra (PSDB), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), já confirmaram presença quando a exposição chegar em seus estados.

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