Tora de castanheira 'sequestrada' por madeireiros do Pará seria usada em expedição itinerante sobre desmatamento na Amazônia
A presidência do Ibama suspendeu na manhã desta quarta-feira a
autorização dada ao Greenpeace para transportar a tora de
castanheira que foi apreendida pela população local de Castelo dos
Sonhos, no oeste do Pará, sob influência de madeireiros.
O Greenpeace pediu ao governo federal uma cópia do documento que
revoga a autorização de transporte da árvore, mas até o momento
nada foi enviado. Ao time de campo, o Ibama comunicou que a
autorização havia sido suspensa e imediatamente ordenou ao
motorista que retirasse a árvore do local e a devolvesse ao local
de origem.
O motorista do caminhão se recusou e deixou a carreta no centro
da cidade, seguindo ordens dos madeireiros. Neste momento, os
madeireiros organizam um protesto, juntamente com a população
local, exigindo que a árvore fique na cidade. Eles afirmam que os
ativistas não deixarão à cidade enquanto dois representantes não
forem enviados para o local para pedir desculpas à população.
O grupo de oito pessoas foi cercado na terça-feira à tarde por
aproximadamente 300 pessoas, incluindo dezenas de madeireiros,
caminhões, pick-ups e motocicletas. Eles tentam impedir que os
ativistas do Greenpeace saiam da cidade com a tora de 13 metros de
castanheira (Bertholletia excelsa), que estava sendo transportada
para uma exposição no sudeste do país.
Clique
aqui e confira o relato de um dos integrantes do grupo de
ativistas do Greenpeace que está no local.
A árvore seria parte da exposição itinerante "Aquecimento
Global: Apague essa Idéia", organizada pelo Greenpeace, para
aproximar a realidade da Amazônia de milhares de brasileiros que
nunca tiveram a oportunidade de ver a floresta de perto. A árvore,
queimada ilegalmente em terras públicas no oeste do Pará, simboliza
a rápida destruição da Amazônia e seria exibida em locais de grande
visitação pública em São Paulo e no Rio de Janeiro para chamar a
atenção da população sobre a necessidade urgente de zerar o
desmatamento na Amazônia e, assim, contribuir para reduzir as
emissões brasileiras de gases que provocam o aquecimento global. Os
governadores de São Paulo, José Serra (PSDB), e do Rio de Janeiro,
Sérgio Cabral (PMDB), já confirmaram presença quando a exposição
chegar em seus estados.
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