Notícia - 20 - dez - 2001
Brasil, Argentina, Uruguai e Chile condenam, através de nota oficial, passagem de navio com lixo nuclear pela costa. Greenpeace aplaude a medida.
Foi divulgada, hoje, uma nota conjunta
dos governos do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile condenando a
passagem do navio "Pacific Swan" pela costa da América Latina. O
navio, de bandeira inglesa, partiu da França na última terça-feira
(19/12), carregando 192 barris de lixo nuclear altamente
radioativo.
Na nota, os governos "reiteram sua preocupação, expressada em
outras oportunidades aos Governos da França, Japão e Reino Unido,
quanto à utilização por embarcações dessa natureza da rota do Cabo
Horn, em especial devido aos riscos que essa rota apresenta para a
navegação em função de suas características físicas e
meteorológicas e da vulnerabilidade dos ecossistemas antártico e
subantártico."
A nota ainda acrescenta que "os Governos preocupam-se com os
eventuais efeitos nocivos que este transporte representaria para a
saúde das populações humanas costeiras e para a integridade do meio
ambiente marinho da região pela qual se dará o trânsito, devido à
natureza intrinsecamente perigosa de seu carregamento".
Também hoje, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos
Deputados reivindicou ao governo brasileiro que exija dos
responsáveis pelo transporte que o Pacific Swan fique fora das 200
milhas da Zona Econômica Exclusiva brasileira, e que comunique aos
governos da França, Grã Bretanha e Japão a inconveniência da
continuidade destes transportes.
Pelos cálculos do Greenpeace, o navio deverá atingir as
proximidades da costa brasileiras no dia 28 ou 29 de dezembro. Em
seguida, bordejará o Uruguai e Argentina, contornando o continente
no Cabo Horn, a parte mais perigosa da travessia.
A indústria nuclear do Japão, Grã Bretanha e França enviou uma
delegação de relações públicas ao Brasil para tentar convencer a
opinião pública e governo que estes transportes são seguros.
Segundo o Greenpeace chega a ser ofensivo passar informações depois
da partida do navio. "Não estão nos consultando, estão nos
comunicando um fato consumado", disse Ruy de Goes, coordenador da
Campanha Nuclear do Greenpeace. "Trata-se de um claro duplo padrão:
na Europa, este tipo de transporte só se daria com consentimento
prévio dos países incluídos na rota de passagem do navio. Os
governos dos países latino-americanos têm todo o direito de
protestar", acrescentou.