Mais de 1.000 representantes de governo, das Nações Unidas, da
iniciativa privada e de ONG's de todo o mundo estarão em Bonn, na
Alemanha, a partir de amanhã - até dia 4 - para o encontro
internacional sobre energias limpas e renováveis, o "Renováveis
2004", que tem como objetivo avançar nas discussões sobre formas
sustentáveis de implementação das novas fontes renováveis de
energia.
A Ministra de Minas e Energia Dilma Roussef estará participando
em nome do governo Lula. Os anúncios recentes mostram que o Brasil
está na contramão da tendência global, assinando contrato de
financiamento para uma usina a carvão mineral (em Cachoeira do Sul
- RS) e buscando acordos para promover a área nuclear, além de
priorizar a expansão da geração centralizada de energia através das
grandes usinas hidrelétricas. "Enquanto o mundo inteiro está
discutindo alternativas limpas de geração de energia e formas mais
modernas de fazer comércio, o governo brasileiro continuar se
envolvendo em projetos de geração de energia antiquados e
poluidores e financiamentos que só visam lucro, sem pensar no
desenvolvimento das nações", afirma Sérgio Dialetachi, coordenador
da campanha de Energia do Greenpeace Brasil.
Os anúncios feitos pelo Governo Lula na China promovendo o
comércio de carvão, urânio enriquecido e a elaboração de acordo
para desenvolvimento do programa nuclear brasileiro (Angra III e
submarino nuclear) surpreenderam as organizações participantes do
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais - apoiado pelo
Greenpeace. Este anúncio põe em questionamento o compromisso
brasileiro com seus próprios esforços históricos para desenvolver
uma matriz energética renovável e avançar o debate e a ação de
governos frente a questão de mudanças climáticas e com a Plataforma
de Brasília - um acordo regional para desenvolvimento das energias
renováveis na América Latina e Caribe, firmado pelo Brasil em
outubro de 2003.
O Brasil abriu mão de continuar na vanguarda das discussões
internacionais e liderar uma proposta arrojada de implementação e
financiamento do desenvolvimento das novas energias renováveis,
como fez na Conferência de Joanesburgo, em 2002, propondo uma meta
global de 10% da matriz de energia proveniente das fontes solar,
eólica, biomassa sustentável, geotérmica, das marés e pequenas
centrais hidroelétricas (PCHs), na matriz energética mundial até
2010.
O FBOMS espera que o Brasil elimine seu programa nuclear e
promova a substituição progressiva da geração de energia mediante
fontes fósseis por medidas eficazes de eficiência e conservação de
energia em diversos níveis e pelo aumento da participação das novas
fontes renováveis e sustentáveis que possam, a curto e médio
prazos, suprir as necessidades da população brasileira e promover o
desenvolvimento
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