Governos e ONG’s de mais de 80 países discutem energia renovável na Alemanha

Notícia - 30 - mai - 2004


Mais de 1.000 representantes de governo, das Nações Unidas, da iniciativa privada e de ONG's de todo o mundo estarão em Bonn, na Alemanha, a partir de amanhã - até dia 4 - para o encontro internacional sobre energias limpas e renováveis, o "Renováveis 2004", que tem como objetivo avançar nas discussões sobre formas sustentáveis de implementação das novas fontes renováveis de energia.

A Ministra de Minas e Energia Dilma Roussef estará participando em nome do governo Lula. Os anúncios recentes mostram que o Brasil está na contramão da tendência global, assinando contrato de financiamento para uma usina a carvão mineral (em Cachoeira do Sul - RS) e buscando acordos para promover a área nuclear, além de priorizar a expansão da geração centralizada de energia através das grandes usinas hidrelétricas. "Enquanto o mundo inteiro está discutindo alternativas limpas de geração de energia e formas mais modernas de fazer comércio, o governo brasileiro continuar se envolvendo em projetos de geração de energia antiquados e poluidores e financiamentos que só visam lucro, sem pensar no desenvolvimento das nações", afirma Sérgio Dialetachi, coordenador da campanha de Energia do Greenpeace Brasil.

Os anúncios feitos pelo Governo Lula na China promovendo o comércio de carvão, urânio enriquecido e a elaboração de acordo para desenvolvimento do programa nuclear brasileiro (Angra III e submarino nuclear) surpreenderam as organizações participantes do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais - apoiado pelo Greenpeace. Este anúncio põe em questionamento o compromisso brasileiro com seus próprios esforços históricos para desenvolver uma matriz energética renovável e avançar o debate e a ação de governos frente a questão de mudanças climáticas e com a Plataforma de Brasília - um acordo regional para desenvolvimento das energias renováveis na América Latina e Caribe, firmado pelo Brasil em outubro de 2003.

O Brasil abriu mão de continuar na vanguarda das discussões internacionais e liderar uma proposta arrojada de implementação e financiamento do desenvolvimento das novas energias renováveis, como fez na Conferência de Joanesburgo, em 2002, propondo uma meta global de 10% da matriz de energia proveniente das fontes solar, eólica, biomassa sustentável, geotérmica, das marés e pequenas centrais hidroelétricas (PCHs), na matriz energética mundial até 2010.

O FBOMS espera que o Brasil elimine seu programa nuclear e promova a substituição progressiva da geração de energia mediante fontes fósseis por medidas eficazes de eficiência e conservação de energia em diversos níveis e pelo aumento da participação das novas fontes renováveis e sustentáveis que possam, a curto e médio prazos, suprir as necessidades da população brasileira e promover o desenvolvimento



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