Após três semanas de intensa campanha do Greenpeace contra a
entrada de alimentos e rações transgênicos na Rússia, dois dos
maiores importadores russos anunciaram que vão adotar uma política
de usar apenas produtos não-transgênicos. A decisão das empresas
Sodruzhestvo e Rubflotprom tem um impacto direto sobre a produção e
a exportação de soja brasileira. Numa declaração por escrito, o
diretor da Sodruzhestvo, S. L. Kandybovich, deixou claro que sua
empresa vai, no futuro, usar principalmente soja importada do
Brasil. "Pensamos que o Brasil é o único país que planta soja
convencional que satisfaz nossos critérios", afirmou. A decisão
também terá um impacto negativo sobre os exportadores de produtos
transgênicos como a Argentina e os Estados Unidos.
No ano que vem, somente a Sodruzhestvo esmagará 1,5 milhão de
tonelada de soja não-transgênica, o que poderia representar um
aumento das exportações brasileiras do grão. "Diferentemente da
Argentina e dos Estados Unidos, o Brasil tem capacidade para
atender essa demanda não-transgênica. Essa é uma grande
oportunidade de mercado que o Brasil não pode perder", disse
Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de engenharia genética do
Greenpeace.
A Sodruzhestvo é a maior importadora de soja da Rússia e fornece
70% de toda a soja usada na indústria de alimento e ração do país.
Na seqüência da decisão da Sodruzhestvo, a fábrica Rybflotprom, que
controla 7% do mercado russo de ração, também anunciou ter adotado
uma política anti-transgênicos para todos os seus produtos.
"Essa é mais uma mudança significativa no mercado global em
direção aos produtos não-transgênicos", afirmou Gabriela. Nesta
semana, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) está
discutindo a liberação comercial de uma variedade de milho
transgênico resistente a agrotóxico. "Fica cada vez mais evidente
que o plantio e a comercialização de transgênicos vai na contramão
dos bons negócios, e isso deve servir de recado para as autoridades
brasileiras", complementou.
O Greenpeace também solicitará à Sodruzhestvo que apóie a
iniciativa lançado em julho para assegurar que a soja produzida no
Brasil não contribua para o desmatamento da Floresta Amazônica. No
meio deste ano, na seqüência de uma investigação do Greenpeace
sobre os impactos do comércio de soja na Amazônia brasileira,
empresas multinacionais que negociam com a soja no Brasil
concordaram em dar dois anos de moratória na compra de soja
cultivada em terras recém-desmatadas na Amazônia.
Os anúncios das empresas russas foram feitos numa coletiva de
imprensa realizada no barco Arctic Sunrise, do Greenpeace, que está
ancorado no porto de Kaliningrado, na Rússia. Nas últimas três
semanas a embarcação navegou pelo Mar Báltico denunciando
importações controversas para a Rússia de produtos alimentícios e
de ração geneticamente modificada.