O Greenpeace demandou de todos os países membros da Organização
do Tratado para o Atlântico Norte (OTAN) a oposição contra a
proposta americana de implementar o Sistema Nacional de Defesa de
Mísseis (NMD), conhecido como "Star Wars" (1). Ativistas da
organização ambientalista protestaram do lado de fora da sede da
OTAN, onde representantes estavam reunidos para discutir o atual
controle de armas e a política de desarmamento.
Durante a manhã, um grupo de 55
manifestantes de todas as partes da Europa formaram uma corrente
humana em frente à entrada principal da sede da OTAN. Uma faixa foi
colocada na parte lateral de um caminhão que estava com a bandeira
americana e uma montagem de mísseis e símbolos da radiação pedia à
Europa: "Parem o Star Wars". Um balão de dez metros de comprimento
mandava a mesma mensagem para quem estava do lado de dentro do
prédio.
"O projeto Star Wars incentiva a guerra. A OTAN pode e deve
impedir sua implementação", disse Ruy de Góes, do Greenpeace no
Brasil. "Os esforços dos representantes da OTAN, reunidos para
discutir o controle de armas e a política de desarmamento, serão em
vão se o projeto dos EUA for implementado".
O Sistema Nacional de Defesa de Mísseis dos EUA
não pode ser levado adiante sem a instalação de dois radares
americanos - um em Fylingdales, Reino Unido, e outro em Thule,
Groenlândia, cuja defesa e política estrangeira são determinadas
pela Dinamarca. Tanto a Dinamarca quanto o Reino Unido são países
membros da OTAN (2).
Países como França, Alemanha, China e Rússia já se opuseram
publicamente contra a proposta americana. Muitas nações acreditam
que o Star Wars poderá prejudicar o atual acordo de redução de
armas, além de aumentar enormemente o risco de uma guerra
nuclear.
"O Star Wars não vai proteger os americanos de um ataque
nuclear", disse Góes. "Na verdade, o projeto vai aumentar a ameaça
de guerra, levando países como China e Rússia a aumentarem seus
arsenais nucleares, em uma tentativa de superar o sistema de
mísseis americano".
Dois dos três testes do NMD, realizados
em condições ideais, apresentaram falhas. Mais de quatro testes
serão agendados para 2001, quando o presidente americano deve
decidir se aprova ou não a próxima fase do projeto. Se aprovada,
pelo menos outros 15 testes devem acontecer e o sistema poderá
entrar em operação no início de 2005.
(1) O Sistema Nacional de Defesa de Mísseis foi batizado de
"Star Wars" por causa de sua semelhança com a proposta do
ex-presidente americano Ronald Reagan. Os dois sistemas usam
radares e satélites para detectar mísseis inimigos, enquanto
mísseis ou lasers americanos são usados para destruí-los, antes que
atinjam seus alvos.
(2) Antes do Star Wars ser aprovado, a administração Clinton
implementou um critério básico de que o projeto deve ter o suporte
de todos os aliados dos EUA na Europa.