Notícia - 30 - ago - 2007
As negociações sobre o clima estão avançando, como mostra o desfecho da reunião de Viena, que terminou hoje. A reunião é a primeira preparatória para a Conferência das Partes que acontece em Bali, em dezembro. No entanto, o Greenpeace chama a atenção para o fato de que medidas urgentes têm que ser adotadas, já que o tempo para isso está se esgotando.
Ativistas do Greenpeace protestam na abertura da Conferência sobre o Clima em Viena.
Delegados de 158 países participantes do encontro chegaram a um
consenso sobre quais seriam os próximos passos para a negociação da
segunda fase do protocolo de Kyoto, principalmente estabelecendo
que um intervalo entre 25% a 40% de cortes de emissões em relação
aos níveis de 1990 até 2020 seria um parâmetro inicial satisfatório
para determinar as futuras reduções de emissões de países
industrializados.
"Estamos a caminho da reunião de Bali, onde os governos terão
que concordar com um mandato claro para as metas de reduções de
emissões de gases estufa, e por isso precisamos agir rápido para
refletir a urgência que a ameaça da mudança climática representa",
afirmou Stephanie Tunmore, do Greenpeace Internacional.
Também foram discutidas ações que deverão ser tomadas pelos
países em desenvolvimento. Parte do mandato da reunião de Bali será
a discussão sobre o desmatamento como fonte de emissões, que
colocam países como o Brasil e a Indonésia entre os maiores
poluidores do mundo.
"A ausência de liderança da delegação brasileira em Viena e a
defesa do direito de poluir para crescer para os países em
desenvolvimento, explicitada pelo governo Lula aqui no Brasil, é
motivo para deixar a população brasileira preocupada. O governo
brasileiro deve demonstrar responsabilidade política e assumir
metas de redução de suas emissões florestais proporcionais à nossa
contribuição ao problema", afirmou Marcelo Furtado, diretor de
campanhas do Greenpeace Brasil.
No Brasil isso significa assumir um compromisso com o fim do
desmatamento e a adoção de uma nova matriz energética baseada em
fontes renováveis para garantir energia limpa para um
desenvolvimento sustentável.
Durante a reunião em Viena, o Japão, o Canadá, a Nova Zelândia,
a Rússia e a Suíça tentaram introduzir metas menores de redução
que, se adotadas, levaria a um aumento dos níveis de gases estufa e
a um risco muito maior de impactos climáticos. A posição defendida
por esses países poderia levar a um aumento da temperatura média
global de até 4º C, o que significaria que o aquecimento global
ficaria fora de controle.
"O mundo estará de olho nesses países e nos grades emissores,
como Brasil, Indonésia, China, Índia e outros, já que apenas um
resultado muito positivo em Bali pode fazer com que as ações
imediatas necessárias para combater o aquecimento sejam adotadas a
tempo", afirmou Furtado.