Ativista segura faixa com os dizeres "Lula vá para Copenhague.
O Greenpeace cobrou hoje do presidente Lula, na Suécia, maior
empenho contra o aquecimento global. A necessidade de agir de modo
urgente e decisivo foi simbolizada com uma passagem aérea gigante
em nome de Lula com destino a Copenhague, onde acontece em dezembro
a 15ª Conferência do Clima da ONU. Os ativistas também estenderam
uma faixa "Você levou as Olimpíadas. Agora salve o clima". O
protesto ocorreu durante a 3ª Cúpula Brasil - União Européia, que
tem como foco as negociações sobre as mudanças do clima e a crise
econômica global.
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A cerca de 60 dias do início da reunião de Copenhague, o
presidente Lula ainda não confirmou sua presença. Desde 28 de
setembro, ocorre em Bangkok, na Tailândia, mais uma rodada de
negociações entre países em torno do aquecimento global. No
entanto, as diferenças entre as posições apresentadas, a falta de
metas ambiciosas e de suporte financeiro para os países em
desenvolvimento estão travando as discussões.
"As negociações chegaram a um impasse. Só a participação dos
líderes globais pode garantir um acordo efetivo em Copenhague"
disse João Talocchi, coordenador da campanha de clima do Greenpeace
Brasil. "O que for definido lá afetará o nosso futuro e o das
próximas gerações. Queremos que o presidente Lula atue pelo clima
com o mesmo vigor com que ele atuou para trazer as Olimpíadas para
o Rio de Janeiro".
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, já anunciou sua
intenção de participar. Lula, que governa o 4º maior emissor de
gases do efeito estufa não confirmou a sua presença em Copenhague.
Além deste silêncio, o governo brasileiro ainda não apresentou
propostas ambiciosas o suficiente para reduzir as emissões
brasileiras no prazo curto que o problema exige. O presidente Lula
prometeu diminuir 80% do desmatamento da Amazônia até 2020. O
Greenpeace considera esta meta insuficiente e propõe que o Brasil
se comprometa com o desmatamento zero até 2015. O desmatamento
contribui com aproximadamente 20% das emissões de gases do efeito
estufa mundiais, valor superior a soma de todos os carros, aviões,
navios e trens do planeta.
O Greenpeace também demanda do governo brasileiro a proteção de
30% da zona costeira, através da criação de áreas marinhas
protegidas. Atualmente, as áreas marinhas protegidas, fundamentais
para a manutenção da capacidade de absorção de CO2 dos oceanos, não
ocupam mais do que 1,5% do mar territorial brasileiro. Além disso,
para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa, o Brasil
precisa garantir que pelo menos 25% da eletricidade consumida no
país seja gerada a partir de novas fontes renováveis de energia,
como a solar e a eólica, até 2020.
"O presidente Lula pode assumir um papel de liderança nas
discussões internacionais sobre mudanças do clima, mas para isso
precisa fazer a sua lição de casa e ir para Copenhague em dezembro.
A passagem aérea ele já tem, agora só falta vontade política" disse
Talocchi.