O Greenpeace iniciou esta semana uma campanha internacional de
comunicação direta para pressionar as autoridades mexicanas a
apurar o assassinato do jovem Aldo Zamora, ocorrido em 15 de maio.
Na data, quatro homens emboscaram os irmãos Aldo e Misael Zamora e
mais três familiares em Santa Lucía, Ocuillan, estado do México.
Aldo morreu e Misael, que se encontra hospitalizado, identificou
dois dos criminosos: Luis e Alejo Encarnación, conhecidos
madeireiros da região e filhos de Feliciano Encarnación, um dos
principais líderes dos grupos madeireiros que atuam na área.
O pai do jovem assassinado é Ildefonso Zamora Baldomero,
presidente de propriedades comunais de San Juan Atzingo e amplo
defensor da floresta comunitária do Parque Nacional Lagunas de
Zempoala.
Os suspeitos apontados por Misael fazem parte de
uma lista de ordens de prisão solicitadas desde novembro de 2005
pelo Ministério Público, todas negadas pelo juiz Gerardo Eduardo
García Anzures, do estado de México. Encarnación havia sido detido
duas semanas antes do atentado, em uma operação da agência
ambiental federal, mas solto em seguida sob fiança.
Em uma carta, o Greenpeace e organizações da sociedade civil
solicitam ao presidente Felipe Calderón o esclarecimento imediato
do atentado, além de apoiar os defensores das florestas mexicanas e
uma política de tolerância zero com os grupos de madeireiros.
Leia abaixo a íntegra da carta enviada
pelo Greenpeace à embaixada do México no Brasil.
São Paulo, 28 de maio de 2007.
À
Embaixada do México
Sr. Andrés Valencia Benavides
Embaixador
Prezado Senhor,
Escrevemos para denunciar e solicitar
atenção imediata a um recente atentado que resultou na morte de
Aldo Zamora e feriu gravemente Misael Zamora. Ambos são filhos de
Ildefonso Zamora Baldomero, presidente de propriedades comunais de
San Juan Atzingo e amplo defensor de sua floresta comunitária,
localizada no Parque Nacional Lagunas de Zempoala.
Em 15 de maio, às 18h30, Aldo e
Misael Zamora sofreram uma emboscada por quatro pessoas em Santa
Lucia Ocuillan, no estado de México. Eles estavam viajando com três
companheiros, todos desarmados.
Misael, que agora está hospitalizado
em condições estáveis, identificou os pistoleiros como Luis e Alejo
Encarnación, conhecidos madeireiros da região, ambos filhos de
Feliciano Encarnación, um dos principais líderes do grupo de
madeireiros dessa zona. Os outros dois pistoleiros identificados
são Fernando Jacinto Medina e Silvestre Jacinto Medina.
Ildefonso Zamora tem denunciado a
extração ilegal de madeira em sua floresta comunitária desde 1998.
Entretanto, as autoridades nunca tomaram as devidas providências
para parar os madeireiros. De acordo com a Procuradoria Federal de
Proteção ao Meio Ambiente (PROFEPA), as regiões de Lagunas de
Zempoala e Huitzilac são identificadas como uma das 15 áreas
críticas do país por conta da extração ilegal de madeira.
Em dezembro de 2005, Ildefonso e
outros representantes da comunidade apresentaram denúncias contra
os madeireiros ilegais na área e apresentaram um vídeo e
fotografias documentando as atividades ilegais.
Em abril de 2006, Ildefonso e o
Greenpeace informaram à PROFEPA sobre a situação. Como resultado, o
escritório local da PROFEPA no estado do México iniciou o
monitoramento da área e fez operações que levaram diversos
madeireiros à prisão.
Em novembro daquele ano, a
Procuradoria Pública solicitou a prisão preventiva de 47
madeireiros, incluindo Feliciano e Alejo Encarnación. As ordens
foram negadas pelo juiz Gerardo Garcia Anzures, que argumentou que
não havia elementos suficientes para determinar se havia sido
cometido algum crime. Além disso, Feliciano Encarnación havia sido
preso apenas duas semanas antes em uma operação legal realizada
pela PROFEPA. Entretanto, foi liberado mediante pagamento de
fiança.
Entre junho de 2006 e maio de 2007,
Aldo e Misael Zamora trabalharam com o Greenpeace na coleta de
dados para um projeto de pesquisa para avaliar os impactos da
extração ilegal de madeira nas florestas de San Juan Atzingo. Tal
pesquisa continua em andamento.
Devido ao isso, Ildefonso e seus
filhos eram alvos de muitas ameaças pelos grupos de madeireiros e
por Feliciano Encarnación, o madeireiro mencionado
anteriormente.
Senhor Calderon, é evidente que o
atentado contra Aldo e Misael Zamora é uma retaliação às suas
atividades em defesa de suas florestas comunitárias e que causou
danos irreparáveis aos defensores do meio ambiente e dos direitos
humanos. Por essa razão, solicitamos que seja consistente com sua
política de "tolerância zero" contra a extração ilegal de madeira,
e solicitamos o que segue:
- Que o atentado seja esclarecido
imediatamente e as pessoas responsáveis pelo homicídio de Aldo
Zamora, os danos a Misael Zamora e outros crimes relacionados sejam
punidos.
- Que a segurança de lldefonso Zamora
e sua família seja garantida, bem como com a das pessoas da
comunidade que têm lutado contra a extração ilegal de madeira,
particularmente Neri Carlos, Nicolas Hernadez Alberto e Alejandro
Ramírez Raymundo e suas famílias.
- Que sejam tomadas medidas imediatas
para parar a extração ilegal de madeira na região, em coordenação
com os estados de México e Morelos, de modo a paralisar e punir os
responsáveis.
Também rogamos ao ministro Guillermo
Ortiz Mayagoitia que aja de acordo com a lei e investigue o
desempenho do juiz Gerardo Eduardo Garcia Anzures, que negou a
prisão preventiva de 47 madeireiros sem analisar com o devido
cuidado o caso apresentado pela população de San Juan Atzingo.
O atentado contra Aldo e Misael
representa uma longa história de repressão contra aqueles que
defendem as florestas. Exemplos disso são os casos de: Rodolfo
Montiel, Teodoro Cabrera, Isidro Baldenegro, Felipe Arreaga e
Albertano Peñazola.
Senhor Calderon, é hora de acabar com
impunidade e a repressão a todos os defensores dos recursos
naturais do México.
Frank Guggenheim, diretor executivo
do Greenpeace Brasil