Greenpeace cobra ratificação da Convenção de Estocolmo

Notícia - 16 - jun - 2002

O início da 6ª reunião do Comitê Intergovernamental de Negociação, que discute a Convenção de Estocolmo, foi marcado por 126 protestos em mais de 54 países diferentes ao redor do mundo. O Greenpeace e a ACPO enviaram carta ao Ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, cobrando a urgência na ratificação da Convenção de Estocolmo pelo Brasil(1).

Em maio de 2001, o Brasil e mais de 100 países assinaram a Convenção de Estocolmo, que trata da eliminação de uma lista inicial de 12 Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). No Brasil, faltando menos de quatro meses para a Rio +10, o país ainda não encaminhou o texto para a aprovação do Congresso Nacional.

A ratificação do tratado é muito importante para o país, uma vez que a assinatura feita a um ano não tem força legal, mas representa um compromisso moral com a eliminação dos POPs no Brasil. Na semana passada, o Greenpeace lançou dois relatórios sobre crimes corporativos, um deles, apresentado em Bali, Indonésia, reuniu casos internacionais de contaminação ambiental e de comunidades, sendo 6 deles brasileiros, e outro focado em 17 casos brasileiros(2). A grande maioria dos casos do relatório "Crimes Ambientais Corporativos no Brasil" envolve POPs.

Em 23 de maio de 2002, em reunião com o Greenpeace e a ACPO (Associação de Combate aos POPs) (3) no Ministério do Meio Ambiente, o governo brasileiro comprometeu-se a enviar o texto da Convenção dentro de uma semana para o Itamaraty, entretanto o documento ainda não saiu do ministério. "As ratificações dos textos das convenções internacionais, incluindo a de Estocolmo, é uma boa maneira do Brasil mostrar ao mundo que é mais do que discurso a preservação ambiental no país" diz Karen Suassuna, coordenadora da Campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace no Brasil.

Além das indústrias, a incineração de resíduos é identificada como uma das principais fontes de emissões de POPs, como os PCBs, furanos e as cancerígenas dioxinas, os produtos tóxicos mais perigosos conhecidos pela ciência (4). "Por enquanto, a proposta de manejo de resíduos que está sendo discutida em Brasília vai em direção contrária a eliminação destas substâncias, pois incentiva a adoção de incineradores no Brasil, usando como disfarce a redução do lixo em volume a recuperação energética". diz Suassuna "Ratificar a Convenção significa transforma-la em lei nacional, o que seria um avanço para as discussões da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em discussão na Comissão Especial de Resíduos Sólidos na Câmara Federal" completa Jeffer Castelo Branco, diretor da ACPO.

"A adoção do princípio da precaução, a muito consagrado internacionalmente, deve nortear nosso passos em direção a um mundo mais limpo e justo, e isto está claro no texto da Convenção de Estocolmo (5). Não podemos permitir a adoção de tecnologias sujas como a incineração e nem que corporações como a Shell, Solvay e Rhodia entre outras, continuem poluindo o meio ambiente e afetando a vida de milhares de pessoas".

 (1) Confira a carta enviada ao Ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho.

(2) Os relatórios sobre Crimes Ambientais Corporativos, materiais sobre incineração e alternativas estão disponíveis na biblioteca da campanha de substâncias tóxicas do site do Greenpeace Brasil.

(3) O Greenpeace e a ACPO são membros do Gaia - Aliança Global Anti- Incineração, uma aliança composta por 265 organizações de mais de 55 países, que trabalham pelo fim de todas as formas de incineração de resíduos e com o intuito de promover a redução de lixo e o manejo sustentável de resíduos.

(4) As substâncias químicas emitidas de um incinerador causam uma variedade de problemas na saúde humana, incluindo impactos no sistema reprodutivo e imunológico, abortos expontâneos, doenças respiratórias, diabetes, disfunção hormonal e câncer.

(5) Onze países, Holanda, Canadá, Alemanha, Suécia, Samoa, Fidji, Lesotho, Nauru, Ruanda, Libéria e Islândia, já ratificaram a Convenção de Estocolmo, entretanto é necessário que 50 ratifiquem para que o tratado ganhe força de lei internacional. A Convenção visa eliminação de todos os poluentes orgânicos persistentes, e tem como lista inicial 12 compostos tóxicos, incluindo PCBs, dioxinas e furanos.

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