A região francesa da Bretanha decidiu ontem tornar-se livre de
transgênicos. A província é a 15a região da França (1) a
declarar-se contra os OGMs (organismos geneticamente modificados),
mas é a primeira a adotar uma resolução referente ao tema. A
Bretanha deverá, assim, adotar medidas concretas em prol da
agricultura sustentável, atendendo a uma demanda dos consumidores
franceses. A indicação do Conselho Regional da Bretanha foi
anunciada no dia seguinte à aprovação, pelo Senado brasileiro, de
uma lei de biossegurança que pode liberar os transgênicos sem
licenciamento ambiental - o que tem o potencial de contaminar a
soja convencional produzida no Brasil.
A deliberação do conselho exclui as culturas transgênicas dos
campos bretões, e além disso visa reduzir progressivamente a
importação e comercialização de OGMs - especialmente aqueles
destinados à alimentação animal. "Esta é uma iniciativa de grande
importância, principalmente porque a Bretanha produz entre 60 e 70%
dos frangos e porcos de toda a França, e sua ração contém 25% de
soja. Esperamos que os bretões promovam, assim, uma alimentação
animal livre de transgênicos", afirmou Arnoud Apoteker, responsável
pela Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace na França. "Pela
alimentação animal, os transgênicos acabam atingindo os
consumidores que rejeitam os OGMs, pois a rotulagem francesa não
inclui produtos de animais alimentados com transgênicos, como
leite, ovos e carne", disse.
O Conselho Regional da Bretanha deverá agora desenvolver uma
grande colaboração com o Estado do Paraná, o segundo maior produtor
de soja do Brasil, que declarou-se livre de transgênicos. "O
reconhecimento do trabalho do Paraná pela região da Bretanha é
muito importante nesse momento em que existe grande pressão para a
liberação dos transgênicos no Brasil. Esperamos que essa decisão
abra os olhos dos governantes brasileiros para o mercado de soja
convencional", afirmou Ventura Barbeiro, engenheiro agrônomo da
Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace no Brasil. "Essa
deliberação francesa deve mostrar aos nossos deputados, que em
breve votarão o Projeto de Lei de Biossegurança, que temos muito a
perder com a liberação dos transgênicos no nosso País", disse.
"Hoje, nessa grande batalha contra o lobby das empresas de
biotecnologia, que tentam impor seus produtos aos consumidores, a
deliberação da Bretanha representa uma grande vitória", disse
Apoteker. "Agora é necessário criar uma cadeia de fornecedores de
soja convencional exclusiva para a região."
(1) As regiões de Aquitaine, Auvergne, Basse Normandie,
Bourgogne, Franche-Comté, Limousin, Midi-Pyrénées, Nord-Pas de
Calais, Provence-Alpes-Côte-d'Azur, Pays de Loire, Picardie,
Poitou-Charente e Rhône-Alpes declararam a intenção de tornarem-se
livres de transgênicos. Mais informações:
www.infogm.org/article.php3?id_article=1858 (em francês).